Petróleo em alta com tensões no Oriente Médio e ameaças de Trump ao Irã
Petróleo sobe com conflito Israel-Irã e ameaças de Trump

Petróleo em alta com tensões no Oriente Médio e ameaças de Trump ao Irã

O preço do petróleo registra uma forte alta nesta segunda-feira (30), impulsionado pela continuidade dos confrontos entre Israel e Irã e pelas ameaças do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de invadir a ilha de Kharg, principal ponto de exportação do petróleo iraniano. O contrato de junho do barril Brent, referência mundial, chegou a ser negociado a US$ 109,44, representando uma alta de 3,91%, às 22h de domingo (29), horário de Brasília. Posteriormente, o valor estabilizou em uma faixa entre US$ 107 e US$ 108. Às 13h10 desta segunda-feira, o Brent era vendido a US$ 107,90, com uma subida de 2,45%.

Impacto do conflito nos preços da commodity

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, até a última sexta-feira (27), os futuros do petróleo já haviam avançado mais de 45%. Esse aumento ocorre em meio ao desabastecimento provocado pelas interrupções no fluxo de petróleo no estreito de Hormuz, por onde passa aproximadamente 20% da produção mundial. Antes dos ataques, o barril Brent estava cotado a US$ 72,48, evidenciando a volatilidade extrema do mercado. Já o barril WTI (West Texas Intermediate), utilizado nos Estados Unidos, era negociado a US$ 103,51, com alta de 3,88%, no contrato de junho, enquanto o contrato de maio era vendido a US$ 100,83.

Confrontos militares e declarações inflamadas

Iranianos e israelenses voltaram a se atacar nesta segunda-feira, poucas horas após Donald Trump afirmar que as negociações para o fim do confronto "estavam bem" e que estaria mais próximo de um acordo. O Exército israelense anunciou na manhã de segunda-feira que suas forças atacam "atualmente infraestruturas militares do regime de terror iraniano ao longo de Teerã". Simultaneamente, o exército do país informou que havia detectado mísseis lançados do Irã, o que levou ao acionamento dos sistemas de defesa.

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Na noite de domingo, Trump declarou ao jornal Financial Times que sua "preferência seria tomar o petróleo" do Irã, comparando a possível medida à situação da Venezuela, onde os EUA passaram a controlar a indústria petrolífera após invadirem o país e capturarem o ditador Nicolás Maduro em janeiro. "Para ser honesto com você, minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irã, mas algumas pessoas estúpidas nos EUA dizem: 'por que você está fazendo isso?' Mas são pessoas estúpidas", afirmou o ex-presidente. Tal medida envolveria tomar a ilha de Kharg, por onde a maior parte do petróleo do Irã é exportada.

Movimentações militares e reações iranianas

Na semana passada, o Pentágono determinou o envio de mais 10 mil soldados para o Oriente Médio. Com a chegada de 3.500 na última sexta-feira (27), os Estados Unidos somam mais de 50 mil militares na região. O presidente norte-americano também afirmou que o Irã permitirá o trânsito de 20 navios-petroleiros pelo estreito de Hormuz, crucial para 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).

O regime iraniano, por sua vez, declarou que já se prepara para coibir uma possível incursão terrestre das tropas norte-americanas. "Publicamente, o inimigo envia mensagens de negociação e diálogo enquanto, em segredo, planeja uma ofensiva terrestre", afirmou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em comunicado. "Nossos homens aguardam a chegada dos soldados americanos em terra para atacá-los e punir de uma vez por todas seus aliados regionais", complementou Ghalibaf.

Consequências e expansão do conflito

A Guarda Revolucionária do Irã informou que bombardeou com mísseis balísticos um complexo industrial no sul de Israel em resposta aos ataques sofridos. O Irã também confirmou a morte do comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri, que Israel havia anunciado ter matado em um bombardeio na semana passada. Tangsiri seria o responsável pela estratégia para manter o bloqueio no estreito de Hormuz.

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A entrada dos houthis, grupo que atua principalmente no Iêmen, no confronto no último sábado (28) causou preocupação adicional entre os investidores. "Os ataques no golfo continuaram durante o fim de semana, com uma nova camada de risco surgindo quando os houthis do Iêmen entraram na disputa, o que pode restringir o transporte marítimo no Mar Vermelho, adicionando outro ponto de estrangulamento ao fornecimento de petróleo", explicou Richard Hunter, diretor de mercados da Interactive Investor.

Reações nos mercados financeiros globais

A situação no Oriente Médio provocou reações distintas nos mercados financeiros internacionais. As Bolsas da Europa estão em alta nesta segunda-feira, enquanto a maioria dos mercados na Ásia fecharam em baixa. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, registrava alta de 0,70%, às 13h10, tendência seguida em Frankfurt (0,88%), Londres (1,61%), Paris (0,92%), Madri (0,79%) e Milão (1,02%). Nos Estados Unidos, as três principais Bolsas de Nova York subiam: Dow Jones (0,70%), S&P 500 (0,31%) e Nasdaq (0,05%).

Já na Ásia, os principais índices tiveram quedas significativas, como ocorreu em Tóquio (-2,81%), Seul (-2,97%), Hong Kong (-0,81%) e Taiwan (-1,8%). A exceção foi Xangai, que subiu 0,24%, apesar de o índice CSI300, que reúne as principais companhias em Xangai e Shenzhen, ter fechado em queda de 0,24%. Além disso, os preços do alumínio avançaram até cerca de 6% na Bolsa de Metais de Londres após ataques supostamente vindos do Irã terem atingido duas grandes usinas de alumínio no golfo Pérsico, levantando preocupações sobre interrupções no fornecimento.