O Banco Central do Brasil decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição financeira digital que fazia parte do conglomerado Master. Esta é a terceira medida do tipo em apenas três meses, marcando um capítulo turbulento no sistema financeiro brasileiro.
Histórico e contexto da decisão
O Will Bank foi originalmente fundado em 2017 e posteriormente adquirido pelo grupo Master no ano de 2024. Com foco no público de baixa renda, o banco digital havia conquistado uma base expressiva de quase 6 milhões de clientes, representando mais da metade do total de clientes do conglomerado Master.
Situação financeira crítica
Em setembro de 2025, os números já apontavam para uma realidade preocupante: o patrimônio líquido do Will Bank estava negativo em impressionantes R$ 76 milhões, sinal claro de prejuízos acumulados que se agravaram com o tempo.
Embora o Banco Central já tivesse decretado a liquidação do conglomerado Master em novembro, o Will Bank foi mantido temporariamente em um regime especial. Este mecanismo foi implementado como uma medida de contenção, visando evitar riscos sistêmicos ao sistema financeiro enquanto se buscava uma solução alternativa para o banco digital.
Fatores determinantes para a liquidação
Após três meses de avaliação, o Banco Central concluiu que não existiam mais alternativas viáveis para salvar a instituição. Na decisão oficial, o BC destacou que o Will Bank não honrou os pagamentos devidos à Mastercard, operadora de cartões de crédito que mantinha relações comerciais com a instituição.
O documento do Banco Central afirma textualmente: "tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial".
Posicionamento das partes envolvidas
Em comunicado oficial, a Mastercard informou que mantém diferentes tipos de garantias que asseguram o cumprimento de obrigações de pagamento em caso de inadimplência, demonstrando que havia previsão para este tipo de cenário. Por outro lado, o Will Bank optou por não se manifestar sobre a decisão do Banco Central.
Impacto nos clientes e papel do FGC
Agora, caberá ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assumir a responsabilidade de ressarcir os clientes do Will Bank. Esta proteção se estende a quem mantinha recursos em contas correntes, aplicações em CDBs e outros produtos financeiros oferecidos pela instituição.
A estimativa inicial aponta para um valor total superior a R$ 6 bilhões em ressarcimentos, montante que se somará aos aproximadamente R$ 40 bilhões que o FGC já terá que desembolsar para bancar os clientes do conglomerado Master. Desta forma, o órgão garantidor enfrenta um desafio financeiro significativo nos próximos meses.
Processo de ressarcimento
Os clientes do Will Bank já podem começar a procurar o aplicativo do FGC para iniciar os procedimentos de solicitação. No entanto, é importante destacar que o processo de pagamento efetivo ainda depende de levantamentos detalhados realizados pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.
Este processo burocrático pode levar cerca de dois meses para ser concluído, exigindo paciência por parte dos correntistas afetados. O FGC assegura o ressarcimento até o limite de R$ 250 mil por cliente, conforme determina a regulamentação vigente.
Para aqueles que mantinham aplicações tanto no Master quanto no Will Bank a partir de 22 de agosto de 2024, o pagamento levará em consideração a soma dos valores por CPF ou CNPJ, sempre respeitando o teto máximo de R$ 250 mil por pessoa física ou jurídica.
Esta medida busca garantir equidade no processo de indenização, evitando que clientes com múltiplas contas recebam valores superiores ao limite estabelecido pela legislação brasileira de garantias financeiras.