Os investimentos crescentes em inteligência artificial e sistemas digitais ainda não têm gerado, de forma consistente, melhorias no desempenho das cadeias de suprimentos. É o que mostra um estudo da Boston Consulting Group (BCG) com mais de 180 executivos globais. Apesar da rápida adoção dessas tecnologias, os resultados seguem desiguais e muitas vezes abaixo do esperado.
Adoção de tecnologia versus resultados
Hoje, cerca de 7 em cada 10 empresas já utilizam sistemas avançados de planejamento, voltados à organização de estoques, produção e logística. Ainda assim, poucas conseguem extrair todo o potencial dessas ferramentas. Em muitos casos, parte dos funcionários continua recorrendo a planilhas antigas, o que reduz os ganhos. Segundo o estudo, o principal entrave não está na tecnologia, mas na dificuldade de integrá-la à rotina da empresa, com processos bem definidos e dados confiáveis.
Planejamento estratégico em alta
O planejamento ganhou peso estratégico nos últimos anos: mais de 9 em cada 10 executivos afirmam usá-lo para orientar decisões importantes. Esse movimento ocorre em meio a um cenário de incerteza, marcado por oscilações na demanda dos consumidores (apontadas por cerca de 70% dos entrevistados), tensões geopolíticas (64%) e problemas na oferta de produtos (62%). Dentro das empresas, mais de 3 em cada 4 líderes dizem enfrentar dificuldades com previsões imprecisas e falta de alinhamento entre áreas.
Organização interna como diferencial
O estudo mostra que o principal diferencial entre empresas mais e menos eficientes não é a tecnologia, mas o nível de organização interna. Companhias mais estruturadas conseguem prever a demanda com uma precisão significativamente maior. Já empresas menos organizadas tendem a subutilizar os sistemas disponíveis e enfrentam problemas recorrentes com dados inconsistentes e processos fragmentados.
“No Brasil, o planejamento integrado, nos níveis tático e operacional, já ocupa espaço relevante na agenda de grande parte dos CEOs”, diz Aline Ribeiro, diretora executiva e sócia do Boston Consulting Group (BCG). “Organizações líderes são aquelas que evitam tratar tecnologia como solução isolada e, em vez disso, conectam analytics avançado a transformações profundas em processos, modelo operacional e governança”.
IA ainda com resultados limitados
Apesar do entusiasmo com a inteligência artificial, os resultados ainda são limitados. Apenas cerca de 2 em cada 10 empresas presentes no estudo global dizem ter obtido ganhos relevantes com aplicações mais avançadas de IA. Quando se trata de tecnologias mais recentes, como IA generativa, esse número cai para menos de 1 em cada 10 (cerca de 7%). Na prática, a IA funciona como um complemento, não um substituto, dos sistemas já existentes, e só traz resultados quando está apoiada em boas práticas de gestão, dados confiáveis e decisões bem estruturadas.



