Cesta básica em Campinas tem maior alta histórica com tomate, leite e feijão liderando
Maior alta da cesta básica em Campinas com tomate disparando

Cesta básica em Campinas atinge maior alta mensal desde início das medições

A cidade de Campinas, no interior de São Paulo, registrou em março a maior variação mensal no preço da cesta básica desde o início da série histórica do Observatório PUC-Campinas, em setembro de 2022. O aumento foi de impressionantes 7,12%, elevando o custo total para R$ 831,77, um acréscimo absoluto de R$ 55,31 em relação ao mês anterior, quando a pesquisa apontava R$ 776,46.

Tomate, leite e feijão lideram as altas com impacto significativo

Entre os produtos que mais pressionaram o bolso dos consumidores, destacam-se o tomate, com uma alta extraordinária de 51,98% no período, seguido pelo leite e pelo feijão. O economista Pedro de Miranda Costa, do Observatório PUC-Campinas, explica que essa disparidade se deve a uma combinação de fatores, incluindo a entressafra de alguns itens agrícolas e uma tendência geral de alta nos alimentos para 2026.

"O tomate é um item que oscila muito, e juntou o fato de que essa época do ano é uma época de entressafra, e com uma tendência de alta, ele disparou. O feijão e o leite também sofreram com isso", pontua o especialista.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Conflitos no Oriente Médio e custo do diesel influenciam preços

Além das questões sazonais, os conflitos no Oriente Médio têm um impacto direto e indireto na composição dos valores. O efeito direto está relacionado à alta do diesel, que eleva os custos do transporte rodoviário, componente relevante no preço final dos alimentos.

Pedro de Miranda Costa utiliza uma analogia para ilustrar essa influência: "Para você transportar um quilo de batata e um quilo de computador, o custo do transporte é basicamente o mesmo. Só que um quilo de computador vale algumas dezenas de milhares de reais. E um quilo de batata vale poucos reais. Então, o impacto relativo do transporte no preço do produto é maior".

O economista também menciona que o conflito iniciado no Irã pode ter gerado uma antecipação de alta pelos agentes de mercado, em um cenário onde a especulação se torna mais comum diante de tendências de aumento.

Composição da cesta e peso no orçamento familiar

A pesquisa considera 13 produtos alimentícios, definidos por decreto-lei em 1938, que incluem:

  • Açúcar: 3 kg
  • Arroz: 3 kg
  • Café: 600g
  • Farinha: 1,5 kg
  • Feijão: 4,5 kg
  • Leite: 7,5 litros
  • Manteiga: 750g
  • Óleo: 750ml
  • Banana: 90 unidades
  • Batata: 6 kg
  • Carne: 6 kg
  • Pão francês: 6 kg
  • Tomate: 9 kg

A carne, por exemplo, representa cerca de 30% do total da cesta, sendo sensível aos preços internacionais devido ao seu caráter exportável. Em contrapartida, itens como café e arroz apresentaram reduções ou consolidação de quedas, amenizando parcialmente o cenário.

Impacto no salário mínimo e nas famílias

Comparando com o salário mínimo vigente de R$ 1.621,00, a cesta básica em Campinas compromete 51,3% desse valor. Para uma família padrão de quatro pessoas, composta por dois adultos e duas crianças, a pesquisa estima a necessidade de três cestas básicas, totalizando R$ 2.495,31 apenas em alimentação.

Metodologia da pesquisa

O Observatório PUC-Campinas realiza a coleta de dados mensalmente, seguindo a mesma metodologia do Dieese, com apuração em 28 estabelecimentos localizados em bairros ao redor do centro da cidade. As pesquisas são feitas entre a segunda e terceira semana de cada mês, sempre no mesmo dia, para evitar distorções por promoções.

Este monitoramento contínuo visa fornecer um retrato fiel da evolução do custo de vida na região, destacando os desafios econômicos enfrentados pela população local.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar