Dólar abre em queda com negociações de trégua no conflito do Oriente Médio
O dólar iniciou a semana em queda nesta segunda-feira (6), enquanto investidores reagem às incertezas em torno da guerra no Oriente Médio. A possibilidade de um cessar-fogo tem animado analistas no exterior, com Estados Unidos e Irã negociando as condições de uma trégua mediada pelo Paquistão. Durante o pregão, os preços do petróleo também apresentam recuo, influenciando os movimentos da moeda norte-americana.
Cotações e movimentos do mercado financeiro
Por volta das 9h16, o dólar registrava queda de 0,10%, cotado a R$ 5,155. No exterior, o índice DXY, que mede a força da moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,08%, próximo da estabilidade. Os Estados Unidos e o Irã negociam um plano para encerrar o conflito que já dura cinco semanas, com propostas de cessar-fogo imediato e negociações para um acordo mais amplo em 15 a 20 dias.
O chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, esteve em contato durante toda a noite com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi. No entanto, negociadores de ambos os lados admitem que as chances de acordo parecem baixas, mantendo a cautela nos mercados.
Impacto das declarações de Trump e reações iranianas
Investidores também acompanham com atenção a entrevista coletiva de Donald Trump, planejada para às 13h desta segunda. Na quinta-feira passada (2), o dólar fechou próximo da estabilidade, com alta de 0,01%, cotado a R$ 5,158, enquanto a Bolsa de Valores brasileira registrou alta de 0,05%, a 188.052 pontos.
O pregão da última quinta repercutiu discurso do presidente dos Estados Unidos, que afirmou pretender continuar os ataques contra o Irã. À tarde, contudo, a notícia de que o Irã estaria elaborando um protocolo para monitorar a atividade no estreito de Hormuz foi interpretada como sinal de normalização do fluxo e limitou o avanço do dólar e dos preços das commodities.
Em pronunciamento à nação na quarta-feira, Trump voltou a afirmar que os objetivos militares do país na guerra do Irã estão "quase completos", apesar de evitar esclarecê-los. O republicano também minimizou o impacto do fechamento do estreito de Hormuz, onde um quinto do petróleo mundial circula, declarando: "Nós não precisamos do Oriente Médio, não precisamos do petróleo deles".
Respostas do Irã e análise de especialistas
Em resposta, o Exército do Irã prometeu na quinta-feira (2) realizar ataques devastadores contra Estados Unidos e Israel. O comandante operacional do Exército iraniano, Khatam al-Anbiya, afirmou em comunicado na TV estatal: "Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, sua desonra, seu arrependimento definitivo e sua rendição".
Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da StoneX, analisa que o discurso de Trump trouxe pouca clareza sobre os próximos passos do conflito. "O que antes era um ambiente de maior apetite por risco, sustentado pela perspectiva de um possível cessar-fogo entre os países envolvidos, dá lugar agora a um cenário de maior aversão", afirma Bezzon, destacando que essa combinação gera incerteza nos mercados.
Movimentação de commodities e juros futuros
A sinalização de continuidade do conflito impactou os mercados de commodities e de juros futuros pela manhã, mas a expectativa de reabertura do estreito de Hormuz freou a alta. No início da tarde de quinta-feira, a agência oficial de notícias do Irã, IRNA, informou que o país está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no estreito.
Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, comenta: "Na prática, seria uma forma de garantir uma travessia segura, possivelmente com algum tipo de tarifa. Isso, em tese, permitiria a passagem do petróleo e ajudaria a aliviar as pressões recentes sobre os preços da commodity".
O contrato de junho do Brent, referência global, subia 7,43%, a US$ 108,68, às 17h de quinta-feira. As altas repercutiram no pregão brasileiro, com as ações da Petrobras fechando em alta de mais de 2%. No mercado de juros futuros, a perspectiva de reabertura do estreito também freou a alta, com taxas DI encerrando o dia em alta moderada.
Contexto da semana e influência na política monetária
Na quarta-feira (1º), Trump afirmou que o Irã pediu um cessar-fogo na guerra, condicionando a análise da proposta à reabertura do estreito de Hormuz. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, contudo, disse que a declaração do americano era falsa e sem fundamento, segundo a TV estatal.
No acumulado da semana passada, a moeda norte-americana recuou 1,52%, enquanto a Bolsa avançou 3,57%. A guerra no Oriente Médio também tem influenciado decisões de política monetária ao redor do mundo, sendo citada tanto pelo Fed quanto pelo Banco Central do Brasil nas decisões deste mês, diante do risco de pressão inflacionária global.
Na visão da XP, um conflito prolongado e preços de petróleo altos por mais tempo são os principais pontos de atenção, à medida que as expectativas de inflação local sobem acima da meta do Banco Central. O banco, contudo, vê o Brasil bem posicionado, "dada sua alta exposição ao petróleo e o potencial de seguir atraindo fortes fluxos estrangeiros, especialmente quando as tensões arrefecerem".



