China impõe cotas à carne bovina e Brasil pode perder US$ 3 bilhões
Cotas chinesas ameaçam exportação de carne bovina do Brasil

O governo brasileiro está mobilizado para enfrentar as novas barreiras comerciais impostas pela China sobre a carne bovina, uma decisão que coloca em risco um dos fluxos mais valiosos da balança comercial do país e pode resultar em prejuízos superiores a US$ 3 bilhões apenas em 2026.

Resposta Coordenada do Governo Brasileiro

Em uma ação conjunta, os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), da Agricultura (Mapa) e das Relações Exteriores (MRE) emitiram um comunicado oficial na quarta-feira, 31 de dezembro, manifestando preocupação. As autoridades afirmam acompanhar a decisão chinesa "com atenção" e garantem uma atuação coordenada com o setor privado para proteger os interesses da cadeia produtiva nacional.

O plano de ação inclui abordar a questão em duas frentes principais: por meio do diálogo bilateral direto com Pequim e também no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo brasileiro argumenta que as chamadas salvaguardas não visam combater práticas comerciais desleais, como dumping, e se aplicam a todos os países exportadores, mas criam distorções significativas no mercado.

Os Detalhes das Restrições Chinesas

As novas regras, que entraram em vigor no dia 1º de janeiro e têm vigência inicial de três anos, estabelecem um limite rígido para as importações. A China definiu uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para a carne bovina proveniente do Brasil.

Qualquer volume que exceder esse limite estará sujeito a uma sobretaxa adicional de 55%, somada à tarifa de importação padrão de 12% que já era aplicada. Essa combinação de medidas tem impacto imediato tanto nos volumes exportados quanto na formação dos preços, afetando diretamente a competitividade do produto brasileiro.

A importância do mercado chinês é colossal. O país é o maior importador mundial e o segundo maior consumidor de carne bovina do planeta, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Nos últimos anos, a China se consolidou como o destino principal das exportações brasileiras do setor.

Em 2024, mais de um terço de toda a carne bovina exportada pelo Brasil foi para o mercado chinês, um dado que ilustra a dependência e a centralidade dessa relação comercial para os frigoríficos nacionais.

Impacto Bilionário e Repercussões para o Agronegócio

O setor produtivo já calcula os prejuízos. De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), as salvaguardas podem levar a uma perda de receita de até US$ 3 bilhões em 2026.

Essa quantia reflete a enorme dimensão financeira do comércio bilateral de carne bovina e a vulnerabilidade criada pela nova medida. A China não é apenas um grande comprador, mas também exerce um papel central na definição dos preços internacionais da commodity, o que amplifica o efeito de suas decisões.

A reação do governo brasileiro demonstra a gravidade com que a situação é encarada em Brasília. A estratégia de acionar simultaneamente a via diplomática bilateral e o sistema de solução de controvérsias da OMC indica uma tentativa de usar todas as ferramentas disponíveis para reverter ou, pelo menos, mitigar os efeitos das cotas impostas por Pequim.

Os próximos passos das negociações serão decisivos para o futuro de um dos setores mais dinâmicos e importantes da economia brasileira.