Produtor gaúcho descobre trufa rara por acaso e transforma achado em negócio lucrativo
Trufa rara descoberta por acaso vira negócio na Serra Gaúcha

Descoberta acidental de trufa rara transforma propriedade rural na Serra Gaúcha

Escondidas sob a terra, entre as raízes de nogueiras, as trufas Sapucay, também conhecidas como trufas brasileiras, revolucionaram completamente a rotina de uma propriedade rural localizada em Cotiporã, na Serra do Rio Grande do Sul. O produtor Luís de Rossi colhe o fungo pelo terceiro ano consecutivo, após um encontro fortuito no pomar de noz-pecã, cultura que já existia previamente no local.

Identificação surpreendente e mudanças no manejo

Luís de Rossi relata que as primeiras trufas não foram reconhecidas imediatamente. "Nós achávamos essas trufas, que não sabíamos que eram trufas. Então nós levamos para a universidade e constatamos que realmente era trufa", recorda o produtor. A descoberta também surpreendeu profundamente a equipe da Emater-RS. "Num primeiro momento, até a gente nem acreditou que fosse trufa realmente", confessa a técnica Jéssica Zalamena.

Com essa revelação inesperada, o manejo da propriedade precisou ser completamente reestruturado. Luís investiu significativamente em pastagem de inverno para garantir cobertura adequada ao desenvolvimento do delicado fungo. A produtividade apresenta variações consideráveis conforme as condições climáticas. No ano anterior, a chuva favoreceu extraordinariamente o fungo, resultando em uma colheita que ultrapassou 150 kg. Já na safra atual, a baixa umidade reduziu drasticamente o volume para aproximadamente 50 kg.

Sensibilidade climática e valorização do produto

Segundo o consultor agrícola Jorge Alberto Porto, o cultivo demonstra extrema sensibilidade ao ambiente. "Em invernos mais frios a gente acaba tendo um pouco menos de trufa. O desenvolvimento do fungo se dá através de temperaturas mais altas e umidade", explica detalhadamente o especialista. As trufas produzidas na propriedade seguem diretamente para a alta gastronomia, com valores que podem oscilar entre R$ 4 mil e R$ 10 mil o quilo, dependendo principalmente do tamanho dos exemplares.

Apesar de possuírem valor comercial ligeiramente inferior às trufas europeias, o consultor destaca com entusiasmo os diferenciais do produto nacional. "A nossa trufa é um produto fresco, tem boa durabilidade e o mercado tem crescido conforme a produção vai se desenvolvendo", enfatiza Porto. Em janeiro, foi descoberta em uma propriedade rural de Encruzilhada do Sul uma trufa impressionante de 213 gramas da espécie Sapucay. Trata-se da maior trufa já registrada em território brasileiro, conforme atesta a administradora da Fazenda Pecanera Brasil, Gabriela Zaffari. Em comparação, as trufas geralmente pesam entre 10 e 20 gramas em média.

Inserção na gastronomia e expansão do negócio

Em Pinto Bandeira, uma vinícola requintada utiliza as trufas de Cotiporã na finalização do prato principal. "Ela vai trazer complexidade para um prato de sabor às vezes até muito popular. Traz um aroma mais terroso, picante, às vezes até que lembra um pouco do alho. Dá um tempero e um toque final para o prato", descreve com precisão o chefe de cozinha Vagner Paim.

A propriedade de Luís se consolida como a única produtora comercial de trufas na Serra Gaúcha e uma das poucas em todo o Rio Grande do Sul. Visando ampliar o cultivo em outras áreas, ele começou a comercializar mudas inoculadas com o fungo. "Precisamos de mais trufas. O mercado brasileiro exige mais", declara o produtor com convicção.

Planos futuros e perspectivas promissoras

Para o futuro próximo, Luís de Rossi planeja investir em agroindústria e desenvolver subprodutos inovadores como:

  • Carpaccio de trufa
  • Brisura trufada
  • Alho negro trufado
  • Molhos prontos com trufa

"Muitos restaurantes não querem trabalhar com muito manuseio da comida. Eles querem produtos já meio prontos. Então, a gente está tentando desenvolver essa parte", explica detalhadamente o empreendedor rural. Mesmo apresentando aroma menos intenso que as trufas europeias, a Sapucay conquista progressivamente mais espaço no mercado gastronômico nacional. "Ela tem se encaixado muito bem na gastronomia aqui no Rio Grande do Sul, assim como no resto do Brasil", conclui otimista o consultor Jorge Alberto Porto.