Agricultor do Ceará que achou possível petróleo tem dívida de empréstimo adiada por banco
Agricultor com possível petróleo tem dívida adiada por banco

Agricultor cearense que encontrou possível petróleo tem dívida adiada por banco

O agricultor Sidrônio Moreira, residente em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, recebeu uma notícia aliviadora para suas finanças nesta quarta-feira, dia 1º. Após ter descoberto uma possível jazida de petróleo ao perfurar um poço artesiano em busca de água, ele conseguiu negociar com o Banco do Nordeste o adiamento da cobrança da segunda parcela do empréstimo de R$ 15 mil que havia contraído para custear a obra.

Alívio financeiro para família de baixa renda

A família de Sidrônio, que sobrevive com dois salários mínimos e a renda da venda de animais do sítio, viu suas finanças comprometidas pelo empréstimo. A dívida, com pagamento anual de R$ 1.800, foi suspensa por um período de um ano, sem acréscimo de juros durante este adiamento. "Estou confiando em Deus que daqui para o fim do ano a gente receba alguma notícia boa. Ficamos aliviados, porque sou preocupado com dívida. Dever é tão ruim", relatou o agricultor de 63 anos ao g1.

O empréstimo foi realizado através do programa Agroamigo, uma modalidade de microfinanciamento rural voltada para famílias do campo que também oferece possibilidades de renegociação de dívidas. Uma nova reunião entre Sidrônio e a gerência do banco está agendada para o início de 2027, quando a situação será reavaliada.

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Busca por água revela descoberta inesperada

A história começou quando Sidrônio e seu filho, Sidnei Moreira, decidiram perfurar um poço artesiano no quintal de casa na tentativa de obter uma fonte própria de água. A região do Sertão Cearense onde moram enfrenta escassez hídrica histórica, obrigando-os a depender de carros-pipa para abastecimento.

Em novembro de 2024, durante a perfuração, um líquido escuro emergiu do buraco. Inicialmente, a família celebrou, pensando se tratar de água. Porém, semanas depois, descobriram que o fluido apresentava características físico-químicas semelhantes às do petróleo. Testes laboratoriais realizados pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE) em 2025 confirmaram que o material tinha propriedades compatíveis com o petróleo extraído da vizinha Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte.

Processo de análise e expectativas

Desde então, o caso passou a ser investigado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em março deste ano, técnicos da agência visitaram o sítio pela primeira vez, coletaram amostras e orientaram a família a isolar a área. A Universidade Federal do Ceará (UFC) também recebeu material para análise, com resultados que podem ser divulgados nos próximos dias.

Não há previsão de quando a ANP concluirá seu laudo definitivo, que é aguardado com ansiedade por Sidrônio. Enquanto isso, o agricultor já recebeu propostas de compra para suas terras, mas mantém a esperança de que a descoberta possa render benefícios financeiros para sua família.

Contexto regional e melhorias no abastecimento

Tabuleiro do Norte está localizado a aproximadamente 210 quilômetros de Fortaleza, na divisa com o Rio Grande do Norte, integrando a região do Vale do Jaguaribe. A proximidade com a Bacia Potiguar, área tradicional de exploração petrolífera, aumenta as expectativas sobre o achado.

Paralelamente, a família tem celebrado pequenas melhorias no abastecimento de água. Após a repercussão do caso, Sidrônio relatou que voltou a receber água de uma antiga adutora que abastece a região, embora em quantidade insuficiente. "A água vem de oito em oito dias. Vem meio fraca, não sobe para a caixa grande, mas encho a pequena de plástico. É para o serviço de dentro de casa. A gente tendo água, tem tudo. Água é vida", afirmou.

Uma nova adutora está em construção na cidade e deve ser inaugurada em breve, beneficiando 700 famílias, incluindo a de Sidrônio. Essas tubulações transportam água de reservatórios até comunidades, sendo crucial para regiões historicamente afetadas pela seca.

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Perspectiva do agricultor

Apesar das incertezas, Sidrônio não se arrepende da decisão de contrair o empréstimo. "Não me arrependo de nada. Eu me arrependeria se eu tivesse pegado dinheiro e 'jogado do mato', mas eu estava atrás de encontrar uma novidade para nossa propriedade. Possa ser que Deus ajude para que esse poço renda alguma coisa para me ajudar a furar um poço aqui", declarou, utilizando uma expressão cearense que significa desperdiçar.

A saga do agricultor cearense ilustra as dificuldades enfrentadas por famílias do sertão, a esperança por recursos naturais e os imprevistos que podem transformar vidas. Enquanto aguarda definições sobre o possível petróleo, Sidrônio comemora o alívio temporário em suas contas e a perspectiva de melhorias no abastecimento de água, recurso tão escasso e valioso em sua região.