Controladoria de São Paulo investiga contratos de quase R$ 240 milhões da SPTuris
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma investigação para apurar denúncias de favorecimento e sociedade oculta envolvendo membros demitidos da Secretaria Municipal de Turismo (SMT) da Prefeitura de São Paulo e na SPTuris. A promotoria considera robustos os indícios de que o ex-secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, usou o cargo para beneficiar a agência MM Quarter e a Associação de Bem-Estar, Esporte e Cultura (ASA).
Denúncias e demissões na gestão municipal
As denúncias, inicialmente publicadas pelo portal Metrópoles e confirmadas pelo g1, levaram o prefeito Ricardo Nunes (MDB) a exonerar, na semana passada, Rodolfo Marinho e o presidente da SPTuris, Gustavo Pires. A Controladoria Geral do Município (CGM) encontrou procurações em que a sócia aparente da MM Quarter, Nathalia Carolina de Souza Silva, dá plenos poderes de administração da empresa para Rodolfo Marinho e Vitor Correa de Moraes, indicando uma possível sociedade oculta.
Contratos milionários sob suspeita
Conforme a apuração, a MM Quarter tem mais de R$ 239 milhões em contratos apenas com a SPTuris desde 2022. A empresa, registrada em nome de Nathalia, mudou sua atividade social de manutenção e limpeza para organização de eventos dias antes da nomeação oficial de Marinho como secretário. Documentos mostram que:
- Nathalia e Marinho foram sócios em uma empresa de comunicação e trabalharam juntos em gabinete parlamentar.
- O telefone cadastrado nos contratos públicos pertence a Marcelo Camargo Martins, presidente da ONG ASA, que também tem contratos milionários com a prefeitura.
- A oposição protocolou pedidos de investigação, alegando uso de empresa laranja e falhas na fiscalização.
Respostas das partes envolvidas
Em nota, a MM Quarter negou as acusações, afirmando que não há sócios ocultos e que a evolução patrimonial da sócia é compatível com a atuação da empresa. A gestão municipal declarou que o prefeito determinou apuração completa sobre eventuais irregularidades. Até o momento, Rodolfo Marinho e outros investigados não se manifestaram.
Investigações em andamento
O promotor José Carlos Blat pediu à Polícia Civil que investigue os empresários envolvidos, focando em possíveis ilícitos como superfaturamento e inexecução de contratos. Parlamentares da oposição, incluindo vereadores e deputadas, acionaram o MP-SP e solicitaram uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para aprofundar as apurações.
O caso destaca preocupações com transparência e gestão de recursos públicos, especialmente em contratos de grande valor vinculados a eventos como o Carnaval de São Paulo.



