Moradores de Hortolândia protestam contra mau cheiro de estação da Sabesp
Protesto contra mau cheiro de estação de esgoto em Hortolândia

Um protesto marcou a sexta-feira (2) no bairro Vila Real, em Hortolândia, no interior de São Paulo. Moradores se reuniram em frente à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) operada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para cobrar uma solução definitiva para um problema antigo: o mau cheiro constante que invade diversos bairros da cidade.

Problema crônico e negligência apontada

Os manifestantes alegam que, apesar das reclamações recorrentes, o odor forte e desagradável continua se espalhando sem horário definido, atrapalhando a rotina e, segundo eles, prejudicando a saúde da população. A situação ganhou um respaldo oficial com um relatório da Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), divulgado em agosto de 2025.

O documento é contundente ao apontar negligência da Sabesp na gestão da estação. De acordo com a Arsesp, o manejo de lodo não é realizado há mais de uma década, tubulações e equipamentos estão deteriorados e a estação opera com uma vazão acima da capacidade para a qual foi projetada. Na ocasião, a agência reguladora deu um prazo de 90 dias para a empresa regularizar os problemas.

Impactos na saúde e na qualidade de vida

O incômodo vai muito além de um simples odor. Moradores relatam que o problema se tornou uma questão de saúde pública. Rodrigo Laneri, gerente comercial, descreve um cenário desesperador. "É um cheiro que fica preso no ar, pesado, como se formasse uma camada", afirma. Ele conta que o odor provoca dores de cabeça, irritação e prejudica o sono, e que tentativas de mitigar o problema, como fechar janelas e usar aromatizadores, são inúteis.

A funcionária pública Patrícia Gomes expressa o medo de consequências a longo prazo. "A gente vive com medo, porque não sabe até que ponto esses gases podem causar doenças mais graves", diz. Já a aposentada Cleusa Santos relata que o cheiro, que antes parecia piorar com a chuva, agora é constante e imprevisível. "Agora não tem horário: de manhã, de madrugada, qualquer hora o cheiro invade a casa. É sufocante", desabafa.

O empresário Erick Soares critica a fiscalização. Ele afirma que, enquanto a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) apontava falhas até outubro, a partir de novembro começou a informar que não havia problema. "Como não? O cheiro é insuportável, não tem como ignorar", questiona.

O que dizem a Sabesp e as autoridades?

Em nota, a Sabesp informou que está cumprindo um cronograma acordado com a prefeitura e a Cetesb para melhorar a eficiência da ETE, com foco no controle de odores. A empresa listou uma série de ações realizadas em 2025, com um investimento de cerca de R$ 28 milhões. Entre as medidas estão a instalação de sistema de monitoramento e nebulização, remoção de lodo das lagoas, troca de equipamentos de aeração, implantação de cortina vegetal e fechamento de equipamentos próximos a imóveis.

Como solução de longo prazo, a Sabesp anunciou a construção de uma nova estação, moderna e totalmente enclausurada. A unidade terá filtros para purificação de gases e tecnologia avançada, com capacidade para tratar cerca de 575 litros de esgoto por segundo. O investimento previsto é de aproximadamente R$ 340 milhões, e a contratação da empresa para os projetos e obras deve ser concluída em janeiro de 2026.

A prefeitura de Hortolândia afirmou que acompanha e fiscaliza as ações da Sabesp. A administração municipal destacou que, em audiência pública no segundo semestre de 2025, a Sabesp prometeu eliminar o mau cheiro até 30 de setembro, promessa que não foi cumprida. A prefeitura informa que segue cobrando a Arsesp pela falta de eficiência na regulação e fiscalização.

É importante ressaltar que a Sabesp já foi notificada e multada diversas vezes por não solucionar o problema do mau cheiro. A Cetesb, por sua vez, informou que em setembro de 2025 foram trocadas tubulações que injetam oxigênio nos tanques e que o mau cheiro tende a se agravar com as altas temperaturas.