MP investiga uso de parque como estacionamento em show de Guns N' Roses em Rio Preto
MP investiga parque usado como estacionamento em show de Guns N' Roses

MP investiga uso de parque como estacionamento em show de Guns N' Roses em Rio Preto

O Ministério Público do Estado de São Paulo estabeleceu um prazo de 20 dias para que o prefeito de São José do Rio Preto, Fábio Candido (PL), e o presidente da Câmara Municipal, Luciano Julião (PL), apresentem explicações detalhadas sobre o uso do Parque Cidade das Crianças como estacionamento durante o show histórico da banda Guns N' Roses, realizado na terça-feira (7), no Recinto de Exposições "Alberto Bertelli Lucatto".

Indícios de irregularidades e conflito de interesses

Segundo o promotor de Justiça Carlos Romani, responsável pelo caso, existem fortes indícios de participação de servidores públicos que teriam recebido valores diretamente, o que levanta sérias suspeitas de irregularidades administrativas e conflito de interesses. A investigação aponta para possíveis desvios de conduta que comprometem a gestão pública municipal.

Cobrança de R$ 100 e destino do dinheiro

Conforme apurado pela TV TEM, os organizadores do estacionamento cobravam R$ 100 por veículo, com pagamento realizado exclusivamente via PIX ou em dinheiro vivo. A investigação revelou que, ao realizar a transferência bancária, a conta destinatária pertencia ao secretário de finanças e orçamento da Câmara Municipal, José Luís Pereira, conforme demonstram comprovantes da operação obtidos pela reportagem.

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Envolvimento de familiares e assessores

Em um vídeo encaminhado à produção jornalística, é possível identificar claramente que a mulher responsável pela cobrança no local é a esposa do secretário José Luís. Além dela, um assessor do vereador Bruno Marinho (PRD) aparece nas imagens sinalizando o local do estacionamento, indicando possível coordenação entre diferentes setores do poder público municipal.

Justificativa da prefeitura e questionamentos

Em nota oficial, a Prefeitura de São José do Rio Preto informou que o secretário municipal de Esportes, Klebinho Kizumba, autorizou o uso do espaço pela Associação Guadomafe, entidade filantrópica com sede em Guaraci (SP), para fins de organização e funcionamento do estacionamento durante a realização do evento musical. O Poder Executivo municipal afirmou ainda que a gestão de recursos financeiros era de responsabilidade exclusiva da entidade beneficiada.

A reportagem da TV TEM questionou qual o critério técnico e legal utilizado para a escolha desta instituição específica, já que a associação beneficiada não está situada no município de São José do Rio Preto, mas até o momento não obteve resposta satisfatória das autoridades municipais. A ausência de transparência no processo de seleção aumenta as dúvidas sobre a legalidade da operação.

Impacto na administração pública

Este caso evidencia problemas graves na gestão de espaços públicos municipais, especialmente quando utilizados para eventos de grande porte. A transformação de um parque destinado ao lazer infantil em estacionamento privativo, com cobrança de valores significativos e possível envolvimento de servidores públicos, representa uma séria ameaça aos princípios da administração pública transparente e ao uso adequado do patrimônio municipal.

A investigação do Ministério Público deverá esclarecer se houve violação de normas urbanísticas, ambientais e administrativas, além de verificar a legalidade da parceria estabelecida entre o poder público municipal e a entidade filantrópica. O prazo de 20 dias estabelecido para as explicações oficiais demonstra a urgência com que as autoridades judiciais estão tratando o caso, que pode resultar em medidas legais contra os envolvidos.

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