Contrato de R$ 11 milhões para poda de árvores em Natal gera disputa judicial
Contrato milionário de poda em Natal gera disputa judicial

Contrato milionário para poda de árvores em Natal gera disputa judicial prolongada

Um contrato da Prefeitura de Natal, com valor aproximado de R$ 11 milhões anuais para serviços de poda de árvores, tornou-se o epicentro de uma complexa disputa judicial que envolve questões de legalidade e transparência na administração pública municipal. O acordo é executado por uma empresa que, embora tenha sido considerada inabilitada pelo próprio município para participar da licitação de manejo arbóreo da capital, conseguiu permanecer no processo após recorrer à Justiça.

Empresa inabilitada vence licitação com proposta mais barata

A empresa Liderança Mudanças e Transportes LTDA - ME foi considerada inabilitada tecnicamente porque os documentos apresentados para comprovar experiência e capacidade técnica na área de poda não foram considerados válidos pela comissão licitante. Este posicionamento foi posteriormente validado em processos administrativos no Crea-RN e no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

Apesar desta inabilitação inicial, a empresa obteve uma decisão favorável da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal para se manter no processo licitatório. Como apresentou uma proposta aproximadamente R$ 300 mil mais barata que sua concorrente, a Liderança acabou sendo declarada vencedora e foi contratada em 2024.

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Anulação judicial e manutenção do contrato

Em setembro de 2025, a pedido do município, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) anulou a decisão judicial anterior e todo o processo que havia mantido a empresa na disputa. Esta decisão foi reforçada em dezembro do mesmo ano, quando o TJRN atendeu a um pedido da empresa concorrente, Engemaia & Cia Ltda., e publicou novo acórdão confirmando as decisões anteriores.

Contudo, seis meses após a anulação, a Engemaia apontou que o município mantém o contrato com a empresa inabilitada, "mesmo após a ciência formal do acórdão pelo município", conforme informou a defesa da empresa concorrente.

Posicionamentos divergentes das partes envolvidas

Em nota, a defesa da empresa Liderança argumenta que o contrato não apresenta ilegalidades e afirma que ainda aguarda julgamento de recursos conhecidos como embargos de declaração no Tribunal. "As questões analisadas até o momento em todas as instâncias foram exclusivamente de cunho processual. Em nenhuma das decisões, incluindo as que estão sob recurso, foi analisado o mérito da questão", afirmou a defesa.

A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), por sua vez, declarou que não está descumprindo qualquer decisão judicial relacionada à licitação dos serviços de poda, "uma vez que não existe, até o momento, intimação oficial do Judiciário determinando a suspensão do contrato com a atual empresa prestadora".

Preparação para novo processo licitatório

A pasta municipal informou ainda que está trabalhando internamente na preparação de um novo processo licitatório para a execução dos serviços de poda, "reforçando o compromisso com a transparência a fim de resguardar o interesse público". O contrato atual tem duração de 12 meses com possibilidade de prorrogação por até cinco anos e já foi prorrogado pelo menos uma vez.

Em novembro de 2025, o município informou que já havia realizado mais de 10 mil ações de manejo arbóreo ao longo do ano, demonstrando a continuidade dos serviços apesar da controvérsia judicial.

Parecer do Ministério Público

Em julho de 2025, o Ministério Público emitiu parecer contrário à decisão da primeira instância da Justiça e pediu que a decisão fosse reformada. O órgão argumentou que "ante a ausência de comprovação da qualificação técnica da empresa impetrante por prova pré-constituída, conclui-se que a sentença recorrida merece ser reformada para denegar a segurança buscada pela Liderança Mudanças e Transportes LTDA - ME, de modo a inabilitá-la à prestação dos serviços no bojo da Concorrência Pública".

A disputa judicial continua em andamento, com todas as partes aguardando decisões finais sobre os recursos pendentes, enquanto os serviços de poda seguem sendo executados na capital potiguar.

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