O influenciador digital acreano Vitor Macario Gomes de Oliveira, de 27 anos, está vivendo o auge de sua carreira desde que começou a produzir conteúdo há três anos. Ele conquistou as redes sociais ao criar uma dança que rapidamente se tornou uma das trends mais reproduzidas da internet. O vídeo de maior sucesso foi gravado no Palácio Rio Branco, em Rio Branco, e mostra Macário subindo as escadarias, vestindo um terno de forma acelerada, colocando óculos escuros e iniciando uma coreografia contagiante.
O segredo do sucesso
O traje de gala, segundo o influenciador, é uma marca registrada de seus vídeos e já havia sido usado em outras produções que também viralizaram. Parte da coreografia foi inspirada no moonwalk de Michael Jackson. Macário soma mais de 1 milhão de seguidores entre Instagram e TikTok, e o vídeo ultrapassa 40 milhões de visualizações em cada plataforma. Ele atribui o sucesso ao seu gingado característico e ao funk de fundo 'Santa Fe Aura Dance', composição do produtor musical qaraqshy, que alcançou usuários em diversos países.
“A ideia de gravar o vídeo surgiu de forma natural, pois a música foi enviada para mim, direto do produtor, como forma de divulgação. Quando escutei a música pela primeira vez, já imaginei mais ou menos o estilo do vídeo e desde então tem estourado nas redes”, afirmou.
Reconhecimento internacional
A mesma música foi usada em outros vídeos, um deles gravado na Praça dos Seguidores, em frente ao palácio, que alcançou mais de 18 milhões de visualizações. O sucesso mundial chamou a atenção do Chelsea Football Club, um dos principais times da Inglaterra, que utilizou a música com lances do jogador brasileiro Estevão e mencionou Macário na publicação. “Foi uma exposição maior do que eu esperava, principalmente fora do Brasil. Só tive noção disso quando vi o Chelsea me notar. Fiquei muito feliz, pois é um clube de fora. Quando vi a marcação fiquei sem acreditar: 'Meu Deus, o Chelsea me notou, não é possível'”, disse.
Além do time inglês, a trend conquistou o influenciador e fisiculturista americano Taqee Mcdaniel e outras personalidades da internet, tanto nacionais quanto internacionais. Macário explica que a dança não teve uma inspiração específica: “Usei passos que já fazia em outros vídeos e é assim que eu danço no dia a dia. Obviamente, os passos não foram inventados por mim, mas a forma de fazer foi algo espontâneo que eu criei”.
Do Acre para o mundo
Morador da Baixada da Sobral, em Rio Branco, Macário viveu no Rio de Janeiro dos 4 aos 21 anos, após sua mãe se casar com seu pai. Apesar do gingado que viralizou, ele nunca fez aula de dança, mas sempre gostou de dançar. “Meu pai já é falecido, era carioca e fomos para lá. Um tempo depois ele e minha mãe se separaram, minha mãe voltou para o Acre, mas fiquei com ele. Estudei em colégio interno e sempre que dava, fazíamos nosso baile entre os alunos. Aquele era o momento que a gente dançava e acho que isso tudo ajudou”, explicou.
Macário voltou para o Acre em 2020 com a mãe. Começou a criar conteúdos para internet após perceber que consumia muitos vídeos e decidiu tentar seu próprio espaço. Explorou formatos como vídeos de anime, memes e conteúdos históricos, mas foi com as danças que encontrou o caminho para viralizar. Vestido com terno, o sucesso não ficou restrito ao Brasil. Segundo dados de suas redes sociais, os principais países que consomem seu conteúdo são: Brasil (38%), Estados Unidos (5,2%), México e Turquia (cerca de 3%), Colômbia e Egito (2,3%), além de França e Arábia Saudita.
Produção artesanal
Apesar de não ter criado todos os passos individualmente, ele afirma que a coreografia e o formato dos vídeos são autorais. Mesmo com alto alcance, os vídeos são produzidos de forma simples: apenas com celular, gravando diretamente pelo aplicativo, sem edições externas. As cenas são feitas com pausas e retomadas durante a gravação, criando efeitos de transição manuais. Cada vídeo pode levar de três a quatro horas para ser finalizado. Atualmente, Vitor conta com a ajuda do amigo e também influenciador Lucas Mendonça, que atua como câmera. “Conheci ele aqui na vizinhança e passamos a trabalhar juntos. Ele estava querendo começar a trabalhar com internet, mas não sabia muito bem com o quê. Como eu também queria fazer alguns vídeos diferentes, acabamos nos ajudando”, contou.
Escolha de vida
Talento acreano, o jovem explicou que chegou a estudar medicina na Bolívia por três anos e, após desistir, estudou direito pelo mesmo período em Rio Branco. Contudo, percebeu que seu lugar é na internet. “Não pretendo mais fazer uma graduação e, se Deus quiser, quero viver da internet”, declarou. O influenciador afirmou que vive exclusivamente da internet desde 2024. A renda vem principalmente de parcerias e divulgação de músicas, não da monetização direta das plataformas. “Eu foco mais na visibilidade do que na monetização. Isso acaba me trazendo mais retorno”, garantiu. Segundo ele, o maior valor já faturado em um único mês chegou a cerca de R$ 20 mil.
Vitor afirmou que o crescimento foi construído ao longo do tempo. Nos primeiros meses, já registrava vídeos com centenas de milhares de visualizações, mas ainda não entendia o funcionamento do mercado digital. A virada de chave veio cerca de 10 meses atrás, com a popularização do gênero musical brazilian phonk, uma mistura do phonk original com o funk brasileiro, geralmente com o mandelão, subgênero do batidão do funk carioca. “Com a popularização dessa mistura de ritmos, foi quando comecei a entender melhor e vi que era possível viver disso e mostrar que dá certo. A primeira coisa é acreditar que é possível. E a segunda é ter consistência. Ninguém começa sabendo”, afirmou.



