O palco do Gran Teatro Falla, em Cádiz, na Espanha, foi tomado por uma cena inusitada e meticulosamente preparada durante o Concurso Oficial de Grupos de Carnaval. Doze homens surgiram curvados em cadeiras de rodas, perfeitamente caracterizados como o renomado astrofísico britânico Stephen Hawking. A apresentação, que rapidamente se tornou um fenômeno viral, tinha um duplo objetivo: competir e, ao mesmo tempo, conscientizar o público sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença degenerativa que afetou o cientista.
Um ano de preparação para uma homenagem ousada
A ideia, descrita pelo autor Miguel Ángel Llul como "tudo ou nada", demandou cerca de um ano de aperfeiçoamento. Os doze integrantes do grupo vestiam ternos idênticos, camisa branca, sapatos marrons, lenço no pescoço e os icônicos óculos redondos. A semelhança era impressionante. Durante os 30 minutos de apresentação, o grupo fez elogios emocionados ao legado de Hawking, destacando sua perseverança e conquistas científicas.
"Com a minha vontade de viver e a minha cadeira de rodas, cheguei ao topo, até mesmo a ver as estrelas", cantaram em um dos momentos. E em outro: "A ELA me deixou como vocês podem ver, mas consegui ser independente. Triunfei sozinho". Essas frases buscavam celebrar a força do homenageado.
Humor negro e piadas atuais na performance
Contudo, a performance não se resumiu a um tributo sério. O jornal El País descreveu o espetáculo como um momento de humor negro "ousado". Logo ao entrar no palco, os "Hawkings" anunciaram: "A máquina chegou para curtir o Carnaval". Eles imitaram os gestos e a voz robótica do cientista, sempre com um tom de brincadeira — "Não se ofendam, é só uma brincadeira", diziam.
As piadas também incluíram referências à atualidade. Em um trecho, o grupo cantou: "Embora o problema das espécies invasoras seja sério, trabalhar como funcionário do Julio Iglesias é mais perigoso", uma alusão direta às recentes acusações de agressão sexual e tráfico humano contra o cantor.
Sucesso viral e um gesto final de solidariedade
A apresentação foi um sucesso absoluto, com vídeos circulando massivamente nas redes sociais e levando os integrantes a participarem de programas de TV. "Estamos cansados, mas felizes", afirmou Llul. Um dos vídeos que viralizou mostra os doze "Hawkings" descendo uma rua de Cádiz, cercados por uma multidão, enquanto cantam.
É importante destacar que o grupo só prosseguiu com a performance após obter o aval da Associação de ELA da Andaluzia, que assistiu ao ensaio geral e autorizou a participação. O grupo ainda precisa passar por mais três fases para chegar à grande final, marcada para 13 de fevereiro.
Independentemente do resultado da competição, um desfecho solidário já está garantido: ao final de tudo, as doze cadeiras de rodas utilizadas no espetáculo serão doadas a pacientes com ELA. "São cadeiras de verdade, que custaram 400 euros cada", explicou Llul. O grupo optou por comprá-las, recusando um patrocínio, justamente para poder fazer a doação. "Já que estamos carregando o fardo, nada mais justo do que fazer uma boa ação", concluiu, rindo.