Turismo de Inverno de Luxo Consolida Mercado Global com Experiências Exclusivas
O turismo de inverno de alto padrão está se reinventando, atraindo um número crescente de brasileiros para destinos icônicos na Suíça, Itália, França e até Japão. De Klosters a Courchevel, passando pelas Dolomitas e Niseko, a experiência vai muito além do esqui, envolvendo gastronomia refinada, bem-estar, moda e privacidade, moldando um mercado global de luxo que enfrenta desafios climáticos, mas mantém sua tração.
História e Evolução do Turismo de Neve de Elite
A princesa Diana (1961-1997) viajava para Klosters, uma vila alpina suíça, quando desejava fugir dos paparazzi e esquiar tranquilamente com a família real britânica na década de 1980. Este local discreto e sem badalação simbolizava a experiência de estar em um ambiente caro, restrito e que garantia privacidade, influenciando o turismo de luxo nas décadas seguintes.
Atualmente, a neve não atrai apenas entusiastas do esqui, mas sustenta uma cadeia de consumo de alto padrão que abrange hospitalidade, bem-estar, moda, gastronomia, negócios imobiliários, esportes e equipamentos especializados. Eduardo Gaz, presidente da agência de viagens SKIBrasil, observa que o esqui era visto como algo restrito a famílias ricas e à realeza, mas o desejo de pertencer a um mundo sofisticado está levando mais viajantes brasileiros a explorarem destinos na Itália, Suíça e França.
Destinos Cobiçados e Experiências Únicas
Uma das regiões mais desejadas para deslizar na neve são as Dolomitas, no norte da Itália, conhecidas pela composição de rocha calcária clara que cria o fenômeno da enrosadira, com picos ganhando tons rosados, laranjas e vermelhos ao amanhecer e ao entardecer. Cortina d'Ampezzo, uma das cidades-sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de 2026, é uma estação muito concorrida, com a Visa oferecendo oportunidades exclusivas para clientes com cartões Infinite e Infinite Privilege, incluindo encontros com atletas e serviços de concierge.
Madonna di Campiglio, preferida da aristocracia italiana, destaca-se como um destino discreto com spas em hotéis de luxo. O Lefay Resort & Spa Dolomiti, por exemplo, oferece diárias de até 24.000 reais para o melhor quarto, com tratamentos inspirados na medicina chinesa e gastronomia local.
Na França, Courchevel é o vilarejo mais charmoso para esquiar com sofisticação, repleto de butiques de grife, restaurantes estrelados pelo Guia Michelin e festas animadas por DJs internacionais. A joalheira Ana Paula Carneiro relata uma experiência mágica no hotel Le K2 Palace, onde uma estadia no Natal pode custar 135.000 reais por noite, com serviços personalizados como mordomo e chef privativo.
Expansão para Fora da Europa e Tendências de Mercado
Fora da Europa, Niseko, no norte do Japão, oferece uma experiência única com a neve seca e fofa conhecida como Japow, resultante do encontro do ar polar siberiano com a umidade do mar. Viajantes podem relaxar em onsens (fontes termais naturais) no Zaborin Ryokan, em um ambiente tranquilo cercado pela natureza.
Para circular pelos resorts, marcas de vestuário como The North Face e Bogner atendem tanto veteranos quanto turistas com roupas après-ski, com casacos que podem custar até 4.000 reais. Nos Estados Unidos, no entanto, a temporada de 2026 enfrenta uma escassez histórica de neve, com visitas caindo 20% em Vail, Colorado, devido a condições climáticas adversas.
Conclusão: O Luxo como Garantia de Valor
Mesmo sob pressão climática, o turismo de inverno mantém sua relevância ao reposicionar seu modelo de negócios. Com o esqui respondendo por cerca de 28% de um mercado europeu estimado em 1,1 trilhão de reais em 2025, o setor amplia a oferta de serviços. A neve, cada vez mais rara em algumas regiões, deixa de ser o único ativo, e o luxo consolida-se como a verdadeira garantia de valor dessa indústria global, atraindo brasileiros em busca de experiências exclusivas e sofisticadas.
