Trem Caipira de Rio Preto é desativado após problemas técnicos e custos elevados
Trem Caipira de Rio Preto é desativado por problemas e custos

Fim da linha para o Trem Caipira em São José do Rio Preto

O Trem Caipira, uma atração turística que percorria os 10 quilômetros entre a estação de São José do Rio Preto e o distrito de Engenheiro Schmitt, no interior paulista, teve sua operação definitivamente encerrada pela prefeitura municipal. A decisão, anunciada pela administração do prefeito Fabio Candido (PL), põe fim a um projeto que consumiu quase R$ 2 milhões em investimentos ao longo dos anos, mas enfrentou uma série de interrupções e desafios estruturais.

Problemas técnicos e operacionais inviabilizam o serviço

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Rio Preto, o encerramento foi baseado em critérios "técnicos, operacionais e econômicos", fundamentados em análises internas e em um relatório da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). Um dos principais problemas identificados foi a utilização de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) adaptado, que não foi projetado para circular regularmente em um trecho concedido à malha ferroviária de cargas.

Esse trecho possui tráfego intenso de composições pesadas, com restrições de segurança e janelas operacionais limitadas, o que comprometia a viabilidade do serviço turístico. O laudo da ABPF também apontou limitações estruturais e mecânicas do equipamento, com risco de falhas e necessidade de investimentos elevados para adequação.

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Histórico de investimentos e interrupções

O equipamento, com capacidade para 59 passageiros, custou cerca de R$ 900 mil em 2014. Logo após a compra, o projeto esbarrou em exigências quanto à conservação da via férrea e das estações, o que exigiu um investimento adicional de aproximadamente R$ 1 milhão em 2017. As viagens com passageiros foram suspensas em março de 2020 devido à pandemia de Covid-19, retomadas em abril de 2022, e pararam novamente em dezembro daquele ano, sendo essa a última viagem realizada.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que não recebeu comunicação formal de suspensão da circulação do Trem Caipira, esclarecendo que esse transporte constitui uma outorga por meio de autorização em caráter não regular, sem obrigatoriedade de manter frequência regular de operação. A prefeitura detém a autorização, e a ANTT fiscaliza enquanto houver prestação do serviço.

Custo elevado e inviabilidade econômica

O Trem Caipira nunca cobrou passagem, sendo totalmente subsidiado pela Prefeitura de Rio Preto. Segundo estimativas, o custo era de cerca de R$ 300 por passageiro, incluindo despesas como óleo diesel, maquinista, seguro e manutenção. A inviabilidade econômica foi citada entre as razões do encerramento.

"Sob o aspecto econômico, verificou-se alta dependência de subsídio público, com custo operacional elevado e baixa sustentabilidade financeira, o que tornou o modelo inexequível nos moldes existentes", afirmou a prefeitura em nota. Em 2022, cerca de 1,5 mil pessoas estavam na fila de espera para as viagens, que ocorriam apenas uma vez por mês, aos domingos pela manhã, conforme contrato com a concessionária Rumo e anuência da ANTT.

Futuro do patrimônio ferroviário

Sobre um possível retorno do Trem Caipira em outro modelo de negócio, o município afirma que "segue em diálogo com instituições e concessionárias para futuras iniciativas de preservação e uso turístico do patrimônio ferroviário, desde que observada a viabilidade técnica, operacional e econômica". Com a suspensão do projeto, dois carros de passageiros históricos, que seriam recuperados para formar uma segunda composição, ganharão função expositiva no complexo da Estação Ferroviária.

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Esses veículos, originários da antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro (CPEF), ficaram abandonados no município com o fim dos antigos trens de passageiros em São Paulo, no início dos anos 2000. O investimento de R$ 3,5 milhões para cada veículo, proveniente do Recurso de Preservação da Memória Ferroviária (RPMF) do contrato de concessão da Rumo Malha Paulista, foi aprovado pela ANTT. Após revitalização, os vagões integrarão o acervo do museu ferroviário municipal, alinhando-se ao objetivo de preservação da memória ferroviária.