Especialistas apontam estratégias para diversificar o turismo no Brasil além do sol e praia
Estratégias para diversificar o turismo no Brasil são apresentadas

Especialistas traçam caminhos para diversificar o turismo brasileiro além das praias

No último painel do VEJA Fórum Turismo, realizado nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, especialistas do setor apresentaram estratégias inovadoras para diversificar a oferta turística no Brasil, focando em atividades culturais, ambientais e de entretenimento que vão muito além do tradicional sol e praia.

Museus como âncoras de revitalização urbana

Ricardo Piquet, diretor-geral do IDG que administra o Museu do Amanhã no Rio de Janeiro, abriu o debate mostrando como instituições culturais podem transformar destinos turísticos. O Museu do Amanhã é o mais visitado da América do Sul há uma década, com impressionantes 1,2 milhão de visitantes anuais, sendo que 80% desse público é composto por turistas.

"A inovação do nosso museu está justamente em ser 'do Amanhã', na contramão do que instituições culturais tradicionalmente fazem ao focar no passado", explicou Piquet. O diretor destacou que o museu funcionou como uma verdadeira "âncora de revitalização" da região portuária carioca, inspirando projetos similares em diversos países como Holanda, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos.

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Piquet fez um apelo emocionante: "A gente precisa preservar o que a gente tem de bom", enfatizando a importância crucial de valorizar e proteger a cultura brasileira como ativo turístico fundamental.

Potencial do mercado doméstico e mudança de percepção internacional

Michael Nagy, CEO da Roxy, apresentou uma análise perspicaz sobre o mercado turístico brasileiro. Ele identificou que o maior potencial de crescimento está no turismo doméstico, enquanto para atrair visitantes estrangeiros é necessário uma transformação profunda na imagem do país no exterior.

"A imagem de show brasileiro é mulher sem roupa. É triste, mas é o que a gente vendia lá atrás. E é preciso mudar isso urgentemente", afirmou Nagy com franqueza. O executivo propôs medidas concretas como a instituição de calendários oficiais de eventos culturais para consolidar a oferta ao longo de todo o ano.

Nagy foi enfático ao declarar: "Esse país está pronto para atrair o turista. Precisa de visibilidade estratégica e de uma narrativa que vá além dos estereótipos limitantes".

Biodiversidade como diferencial competitivo

Simone Oigman Pszczol, presidente do Instituto Brasileiro de Biodiversidade (BrBio), trouxe para o debate uma perspectiva ambiental crucial. Ela destacou que a rica biodiversidade brasileira representa uma vantagem competitiva ainda subexplorada no turismo.

Dados preocupantes revelam que apenas 24% dos brasileiros demonstram interesse pela biodiversidade marinha, segundo estudo do Grupo Boticário. Para reverter esse cenário, Pszczol apresentou iniciativas inovadoras já em implementação:

  • Guias especializados de espécies e turismo em Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro
  • Ações educativas em escolas para conscientizar sobre a importância da biodiversidade
  • Passaporte carioca bilíngue (português e inglês) com informações sobre parques, animais locais e espécies invasoras

O passaporte, distribuído em hotéis do Grupo Arpoador, permite que visitantes carimbem suas experiências, criando um engajamento que estimula a continuidade das atividades turísticas. "Quando você cria essa conexão emocional com o ambiente, desenvolve um turismo verdadeiramente regenerativo", explicou Pszczol.

Estratégias integradas para o futuro do turismo brasileiro

Os especialistas convergiram em vários pontos fundamentais para o desenvolvimento sustentável do turismo no Brasil:

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  1. Valorização das instituições culturais como motores de transformação urbana e atração turística
  2. Reinvenção da imagem internacional do Brasil, superando estereótipos limitantes
  3. Exploração estratégica da biodiversidade como diferencial único no mercado global
  4. Criação de experiências memoráveis que gerem desejo de retorno dos visitantes
  5. Integração entre setores público e privado para desenvolver calendários culturais consistentes

O painel do VEJA Fórum Turismo deixou claro que o Brasil possui todos os elementos necessários para se tornar um destino turístico diversificado e competitivo internacionalmente. A chave está em articular de forma inteligente e sustentável as riquezas culturais, naturais e criativas do país, criando experiências autênticas que encantem tanto turistas domésticos quanto internacionais.