Exposição histórica revela restos mortais de São Francisco de Assis na Itália
Milhares de peregrinos começaram a visitar, a partir deste domingo (22), os restos mortais de São Francisco de Assis na Itália, expostos ao público pela primeira vez em uma mostra extraordinária que comemora o 800º aniversário de sua morte. A exposição "Corpus Sancti Francisci" apresenta o esqueleto do santo falecido em 1226 dentro de uma vitrine de acrílico com inscrição em latim, localizada em frente ao altar da igreja inferior da Basílica de São Francisco de Assis.
Fila de peregrinos e emoção dos visitantes
Uma extensa fila de fiéis aguardava do lado de fora do templo desde as 7h do horário local, demonstrando o enorme interesse pela exposição única. Cerca de 400 mil pessoas já realizaram reservas para contemplar os restos mortais do santo fundador da ordem franciscana.
Nicoletta Benolli, de 65 anos e natural de Verona, viajou especialmente para a ocasião e declarou, visivelmente emocionada: "Foi um evento único. Em um momento como esse, temos a verdade diante de nossos olhos". Suas palavras resumem o sentimento compartilhado por muitos dos visitantes que aguardam pacientemente sua vez para venerar as relíquias.
Significado espiritual e histórico da exposição
O frei Giulio Cesáreo, diretor de comunicação do convento franciscano de Assis, explicou que esta iniciativa "pode ser uma experiência significativa tanto para crentes quanto para não crentes, pois Francisco testemunha, com esses ossos tão danificados, tão consumidos, que se entregou completamente".
O corpo do santo que renunciou à riqueza e dedicou sua vida aos pobres foi transferido para a basílica construída em sua homenagem em 1230. No entanto, seu túmulo só foi descoberto em 1818, após escavações discretas realizadas no local.
Detalhes da exposição e medidas de segurança
O relicário transparente que contém os restos mortais de São Francisco desde 1978 foi cuidadosamente removido na manhã de sábado do cofre de metal onde repousava em seu túmulo de pedra, na cripta da basílica. O pequeno esqueleto, cujo crânio foi danificado durante sua transferência para a basílica no século XIII, está disposto sobre um pano de seda branca.
O frei Cesáreo destacou: "O que é verdadeiramente belo, e não estava inicialmente planejado, é o fato de que um relicário de vidro à prova de balas e de arrombamento, completamente transparente, cobrirá o corpo de Francisco, permitindo-nos não apenas ver, mas também tocar este relicário".
Além da estrutura de vidro que protege a vitrine de acrílico, câmeras de vigilância funcionarão 24 horas por dia para garantir a segurança do esqueleto histórico. A expectativa é receber aproximadamente 15.000 visitantes diários durante a semana e até 19.000 aos sábados e domingos até o encerramento da exposição em 22 de março.
Tradição da veneração de relíquias
O frei Cesáreo explicou a importância espiritual das relíquias: "Desde a época das catacumbas, os cristãos veneram os ossos dos mártires, as relíquias dos mártires, e nunca as consideraram verdadeiramente algo macabro". Ele acrescentou que o que "os cristãos ainda veneram hoje, em 2026, nas relíquias de um santo" é "a presença do Espírito Santo".
Vale mencionar que também em Assis, no Santuário da Despossessão, são preservadas as relíquias de Carlo Acutis, um adolescente italiano falecido em 2006 e canonizado em setembro pelo papa Leão XIV.
Preservação dos restos mortais e iluminação adequada
Especialistas garantem que os restos mortais de São Francisco não sofrerão alterações com a exposição prolongada. O frei Cesáreo afirmou: "A vitrine [de acrílico] é selada, portanto não há contato com o ar externo. Na verdade, permanece nas mesmas condições em que estaria no túmulo".
A iluminação da basílica foi cuidadosamente planejada para não comprometer a preservação das relíquias. "A basílica não será iluminada como um estádio porque não há nada de especial a ser feito; trata-se de um encontro com Francisco, não de um cenário de filme", concluiu o franciscano.
Contexto histórico e significado nacional
Esta é apenas a segunda vez que os ossos de São Francisco são exibidos publicamente. A primeira ocorreu em 1978, para um número limitado de pessoas e por apenas um dia, tornando a atual exposição um evento verdadeiramente histórico.
Em 4 de outubro, pela primeira vez em quase 50 anos, o dia de São Francisco de Assis voltará a ser feriado nacional na Itália, em homenagem ao santo padroeiro do país e ao papa argentino que adotou seu nome. O papa Francisco, falecido em abril de 2025 aos 88 anos, foi o primeiro pontífice a escolher o nome do santo de Assis, reforçando ainda mais a importância espiritual e histórica desta figura religiosa.



