Celebrações da Páscoa no Santo Sepulcro serão realizadas sem público após incidente com polícia israelense
O patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, anunciou nesta terça-feira (31) que as comemorações da Páscoa no local mais sagrado do cristianismo serão realizadas a portas fechadas, sem a presença de fiéis. A decisão ocorre após um incidente no Domingo de Ramos, quando a polícia israelense impediu o acesso do líder religioso à Igreja do Santo Sepulcro, gerando condenação internacional.
Restrições de segurança e resposta das autoridades
As forças policiais israelenses justificaram a ação alegando motivos de segurança, em meio às restrições impostas pelo governo israelense a reuniões em locais sagrados durante o conflito com o Irã. O incidente provocou reações imediatas de líderes religiosos e políticos ao redor do mundo.
Em resposta às críticas, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, garantiu que o patriarca latino teria "acesso completo e imediato" à igreja. No entanto, Pizzaballa optou por manter as celebrações de forma restrita.
Liturgia interna e transmissão ao vivo
"A liturgia da Semana Santa será celebrada internamente, a portas fechadas, sem público, com uma comunidade local e algumas outras pessoas", declarou Pizzaballa a jornalistas. Ele acrescentou que a igreja fará todos os esforços para transmitir ao vivo todas as celebrações da Páscoa, permitindo que fiéis de todo o mundo acompanhem os ritos religiosos.
A Igreja do Santo Sepulcro é considerada o local onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo foi crucificado, sepultado e ressuscitou. O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, que comemora os últimos dias de Cristo em Jerusalém.
Diálogo e respeito mútuo
Pizzaballa reconheceu que, embora tenham ocorrido "alguns mal-entendidos" iniciais com a polícia, a atuação dos agentes foi "muito respeitosa". Ele destacou que rapidamente foi estabelecido um diálogo construtivo com as autoridades israelenses para resolver a situação.
O custódio da Terra Santa, padre Francesco Ielpo, que também foi impedido de entrar na Igreja do Santo Sepulcro no Domingo de Ramos, descreveu o episódio como "doloroso" para os cristãos mundialmente. No entanto, ele vê no incidente uma oportunidade para fortalecer a liberdade religiosa.
"É sobre este princípio que desejamos continuar construindo o diálogo e a cooperação com as autoridades, convencidos de que o respeito mútuo é a base de uma convivência autêntica e da proteção dos lugares santos, que não pertencem apenas a esta terra, mas a toda a humanidade", afirmou Ielpo.
Contexto internacional e implicações
O incidente ocorre em um momento de tensão regional, com Israel mantendo restrições de segurança em locais sagrados devido ao conflito com o Irã. A decisão de celebrar a Páscoa sem público reflete tanto preocupações com segurança quanto o desejo de manter a dignidade das celebrações religiosas.
Analistas destacam que este episódio pode ter implicações significativas para as relações inter-religiosas na região e para a imagem internacional de Israel em relação à proteção da liberdade de culto.



