Padre Fábio de Melo afirma que 'ser muito conhecido é um inferno' em pregação na Canção Nova
Padre Fábio de Melo: 'Ser muito conhecido é um inferno'

Padre Fábio de Melo desabafa sobre os desafios da fama durante pregação na Canção Nova

O padre Fábio de Melo fez uma declaração impactante durante uma pregação na manhã deste domingo (12), na sede da comunidade católica Canção Nova, localizada em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo. O religioso, que participava da Festa da Divina Misericórdia, afirmou com emoção que "ser muito conhecido é um inferno", revelando os profundos efeitos que a visibilidade pública tem causado em sua vida sacerdotal e pessoal.

Reconhecimento de erros e caminho de volta

A pregação, que teve início por volta das 9h30 e se estendeu por aproximadamente uma hora, foi marcada por reflexões sinceras sobre erros cometidos, a vida sacerdotal e as complexidades da fama. O padre Fábio de Melo disse aos fiéis presentes que "errou e está fazendo o caminho de volta para a igreja", um processo que, segundo ele, já dura cerca de três anos.

"Quando você escutar um líder religioso, você não pode acatar tudo o que a gente fala não, porque o diabo também tem chance na minha vida. Quantas vezes ele teve na minha, quantas vezes? Eu tenho dito minha gente, eu estou fazendo um caminho de volta tem uns três anos, com toda honestidade do mundo. Você sabe por que? Ser muito conhecido é um inferno", declarou o religioso, emocionando a plateia.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O impacto da visibilidade no sacerdócio

O padre detalhou como a exposição pública começou a afetar aspectos fundamentais de sua vocação. "Há muitas formas de lidar com a visibilidade, eu posso muito bem me sentir a última cocada, a última bolacha do pacote, ou eu posso me sentir o mais miserável dos homens. Nos últimos três anos, quando eu percebi que a minha visibilidade estava comendo aquilo que eu tinha de mais sagrado, que é o meu sacerdócio, eu disse: 'não, eu não fiquei padre para isso, eu fiquei padre para estar com o meu povo'", completou.

Durante sua fala, Fábio de Melo enfatizou a importância do reconhecimento das próprias fragilidades como parte essencial da jornada espiritual. "Eu tive de fazer o caminho de volta, reconhecendo que eu estava errado. Eu estava errado, eu achei que podia fazer muitas coisas e não podia, eu achei que daria certo muitos planos e não deram, porque quando você olha para mim, se você não enxergar Jesus na minha vida, eu não sirvo para nada", afirmou.

Humildade e combate à vaidade

O religioso também abordou a necessidade de humildade diante da fama, alertando sobre os perigos da vaidade. "Não posso, não tenho direito de me sentir melhor que ninguém por causa da figura que eu me tornei. Pelo contrário, eu sou o pior, eu sou o último, porque a grande cilada do demônio é soprar no seu ouvido: 'nossa, como você é importante'. Sou nada, eu sei a miséria que eu sou, eu sei o quanto eu preciso lutar todos os dias para que o Senhor prevaleça sobre as minhas misérias", disse.

Em um momento particularmente tocante, o padre acrescentou: "Quando eu chegar diante do Senhor, Ele não vai perguntar os meus números, Jesus não está interessado nos meus números, Jesus está interessado no quanto eu amei e fui capaz de ser amado".

Reflexões sobre política e divisão social

Em um ano marcado por eleições, o padre Fábio de Melo também abordou questões políticas, observando que o Brasil está profundamente dividido. Ele pediu aos fiéis que possam discordar sem disseminar ódio. "Se tem uma coisa que o diabo gosta de fazer com o povo cristão é colocar uns contra os outros. Este ano será ainda mais difícil e você sabe por quê? Porque nós estamos divididos em dois 'Brasis'. Não tem nenhum problema você ter divergência política com alguém, mas não se esqueça de que o seu cristianismo não o autoriza a odiar e querer a morte daquela pessoa", afirmou.

O religioso continuou: "Não gostar do outro é um direito seu, falar mal dele é aliar-se ao demônio. Não foi sem motivo que Jesus resumiu todos os mandamentos em apenas um: Amar a Deus acima de todas as coisas e amar ao próximo, o próximo que não gosta do mesmo político que eu, que tem posicionamentos diferentes do meu, que é mais pobre do que eu, que é mais sábio do que eu, como a mim mesmo".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Contexto do evento e significado espiritual

A pregação ocorreu durante a Festa da Divina Misericórdia, um evento significativo no calendário católico que reúne cerca de 40 mil fiéis na Canção Nova. A programação inclui missas, momentos de oração e diversas pregações no Centro de Evangelização, espaço fundado pelo monsenhor Jonas Abib e destacado por Fábio de Melo como destinado a "pessoas imperfeitas e em busca de fé".

Além das reflexões sobre fama e política, o padre também abordou temas como vícios, comportamento humano e julgamentos sociais, sempre enfatizando a importância do amor e da misericórdia divina.

Esta não é a primeira vez que o padre Fábio de Melo enfrenta polêmicas públicas. Em maio do ano passado, ele foi alvo de uma controvérsia envolvendo o preço de um produto em uma cafeteria, episódio que gerou uma onda de críticas nas redes sociais. Sem mencionar diretamente o ocorrido, o religioso comentou sobre a dificuldade de combater mentiras na era digital: "A sua verdade é a sua maior riqueza. Eu não posso trocar a minha verdade pela fama, eu não posso trocar a minha verdade pelos números. O maior perigo dos dias de hoje é a mentira. Eu já desisti de combater, sabe? Há coisas que não adiantam você ficar batendo boca porque há pessoas que não querem a verdade, elas querem a versão que autorize o ódio".