Irmã Terezinha Buss celebra 50 anos de vida religiosa e dedicação ao Hospital São José
Irmã Terezinha Buss: 50 anos de fé e serviço no Hospital São José

Cinco décadas de dedicação: a jornada de fé e serviço de Irmã Terezinha Buss

A história da Irmã Terezinha Buss se entrelaça profundamente com a essência do Hospital São José, construída através de anos de simplicidade, constância e um verdadeiro sentido de missão. Sua presença acompanhou transformações, desafios e mudanças na instituição, sempre mantendo um olhar atento ao cuidado e à fé que fundamentam cada decisão.

Raízes em Rio Fortuna: a infância que moldou uma vocação

A caminhada começou muito antes do hospital, na infância vivida em Rio Fortuna, Santa Catarina. Em uma família numerosa, ao lado dos pais e oito irmãos, ela aprendeu desde cedo o valor do trabalho e da convivência. Entre as atividades na roça, os cuidados domésticos e os momentos de partilha, a fé era presença constante.

"Eu trago lembranças muito bonitas desse tempo. No colo da minha mãe e da minha avó aprendi as primeiras orações. A gente vivia a fé de forma muito simples, mas muito verdadeira, e isso foi ficando dentro de mim, foi criando raiz e me dando uma base que eu carrego até hoje", afirma a diretora institucional do HSJosé.

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A rotina incluía longas caminhadas de aproximadamente sete quilômetros até a escola, conduzida pelas Irmãs Escolares de Nossa Senhora. O percurso, feito frequentemente em grupo, era também um tempo de oração e convivência.

"A gente caminhava conversando, partilhando a vida, brincando, e às vezes, até rezando o terço. Em alguns dias, levantávamos ainda mais cedo para participar da missa. Foi nesse ambiente que eu comecei a perceber um chamado diferente para mim. Não foi algo de um dia para o outro, mas um desejo que foi crescendo aos poucos", revela.

Chegada e consolidação no Hospital São José

A decisão de seguir a vida religiosa se concretizou em 1969, quando deixou a família para iniciar formação em Santo Antônio da Patrulha. Em 8 de fevereiro de 1976, ao professar os primeiros votos, assumiu o compromisso de servir onde fosse necessário. Assim, em 1977, chegou ao Hospital São José, ainda muito jovem e diante de uma realidade completamente nova.

"Eu vim com um certo receio, porque era um mundo que eu não conhecia. O hospital era grande, com muitas responsabilidades, e eu vinha de uma realidade bem diferente. Mas vim confiando. E, quando cheguei, encontrei pessoas que me acolheram muito bem, irmãs que me ajudaram a entender o funcionamento de tudo e que tiveram muita paciência comigo. Isso fez com que fosse me sentindo em casa aos poucos", garante.

Iniciou suas atividades no setor de pessoal, em um período com estrutura administrativa bastante diferente da atual. Progressivamente, assumiu novas funções e ampliou sua experiência dentro da instituição.

"Naquela época, a gente fazia um pouco de tudo. Eu comecei no setor de pessoal, depois fui para a tesouraria, trabalhei no faturamento, passei pela farmácia. Cada um desses lugares foi me ensinando alguma coisa e me ajudando a compreender o hospital como um todo, não só nas questões administrativas, mas também naquilo que envolve o cuidado com as pessoas", enaltece.

Em 1983, professou os votos perpétuos e em 1984 concluiu a graduação em Ciências Contábeis, consolidando sua atuação também na área administrativa. Permaneceu no hospital até meados de 1996, quando foi chamada a viver outras experiências dentro da congregação.

Experiências transformadoras e retorno fortalecido

Atuou junto ao Conselho Provincial e, posteriormente, em uma comunidade em situação de vulnerabilidade em Porto Alegre, onde teve contato direto com realidades muito diferentes.

"Foi um tempo que me ensinou muito. Me fez refletir muito sobre a vida, sobre o que realmente importa e sobre o quão pouco precisamos para ser presença na vida das pessoas. Naquela realidade de pobreza, especialmente das crianças, que me procuravam muito e criavam um vínculo muito bonito. Famílias, muitas vezes esfaceladas, com muito pouco, sabiam repartir o pouco que tinham. Muitos viviam da reciclagem do lixo. Deparar-me com a pobreza de forma tão próxima, me fez rever muitas coisas. Me dei conta do quanto sempre tive: família, valores, estudos, trabalho e muito mais. Essa experiência toca meu coração ainda hoje", explica.

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O retorno ao hospital aconteceu em 2003, já para integrar a equipe da direção. Desde então, seguiu atuando de forma direta na gestão, especialmente na área financeira, até assumir a direção institucional em setembro de 2024, após um período de afastamento por motivos de saúde.

"Foi um tempo delicado, mas também de muita confiança. Senti muito forte a presença de Deus. O apoio recebido das irmãs, dos colaboradores, dos médicos, da família e de tantas pessoas, que além de todo cuidado recebido, rezaram pela minha saúde, fez e continua fazendo toda diferença. Sou grata a Deus e a todos que marcaram presença forte na minha vida, sobretudo nesse período. Quando retornei, voltei com ainda mais vontade de continuar contribuindo em prol do Reino de Deus, e seguir fazendo aquilo que sempre procurei fazer com dedicação", enaltece.

Celebração do jubileu de ouro e reflexões sobre a trajetória

É dentro dessa caminhada que se insere a celebração dos 50 anos de vida religiosa. "O meu jubileu de ouro aconteceu no dia 8 de fevereiro de 2026, foi um dia muito especial, de recolhimento e oração. Eu quis viver esse momento de forma mais íntima, em ação de graças a Deus, recordando toda a minha caminhada. Foi um tempo de silêncio, de oração, de olhar para trás e reconhecer como Deus foi me conduzindo".

A celebração em comunidade ocorreu alguns dias depois, durante um retiro da congregação realizado entre 16 e 22 de março, encerrado com uma solene missa em ação de graças.

"Foi um momento muito bonito, porque reuniu irmãs com diferentes tempos de vida religiosa. A gente percebe que cada história é única, mas todas são sustentadas pela mesma entrega. Celebrar juntas nos fortalece e nos faz seguir com ainda mais confiança", garante.

De acordo com Irmã Terezinha, é uma alegria ver o crescimento do Hospital São José e participar da caminhada que o torna referência. "Este é o resultado da soma dos esforços de muitas pessoas, direta e indiretamente ligadas ao hospital, que acreditaram e acreditam no valor da vida, da vida em plenitude", reforça.

Uma vida sustentada pela fé e gratidão

Ao olhar para sua trajetória, Irmã Terezinha fala com serenidade sobre a escolha que fez ainda jovem e que permanece viva ao longo dos anos.

"Eu sou muito grata a Deus por tudo o que vivi. Pela minha família, que sempre me apoiou, pelas pessoas que encontrei no caminho, pelas oportunidades de aprender e de servir, que tive. A vida religiosa tem desafios, tem exigências, mas ela tem um sentido muito profundo, e é esse sentido que sustenta a gente. Se tivesse que recomeçar minha vida, sem dúvida, eu faria tudo de novo. Talvez com mais consciência em algumas coisas, porque a gente vai amadurecendo, mas a decisão seria a mesma. O que dá base para tudo isso é a confiança em Deus, é manter o olhar voltado para Ele e procurar viver, no dia a dia, aquilo que a gente acredita", aponta.

Depois de cinco décadas de vida consagrada e de uma história tão próxima ao Hospital São José, ela resume sua caminhada com simplicidade.

"Sempre procurei dar o melhor de mim, em toda e qualquer situação e em favor de todos que me procuravam e que ainda hoje precisam de mim. Isso me dá paz e me faz seguir, confiante como Madre Teresa de Jesus Gerhardinger, consciente que a luz consome-se a si mesma, enquanto serve os outros iluminando. Na oração encontro forças para prosseguir diariamente. O reconhecimento, o respeito, o bem querer o que eu recebo das pessoas é uma riqueza muito grande que me impulsiona a prosseguir decididamente, com fé, com tranquilidade e muita gratidão, pois o Hospital São José é minha casa", finaliza Irmã Terezinha.