Fé e superação marcam a 89ª Romaria de Jundiaí a Pirapora
89ª Romaria de Jundiaí a Pirapora: fé e superação

Histórias de superação e milagres marcam a preparação para a Romaria de Jundiaí a Pirapora

A estrada que liga Jundiaí (SP) ao Santuário do Senhor Bom Jesus de Pirapora é feita de asfalto, terra, subidas, descidas e, acima de tudo, histórias de muita fé. Neste fim de semana, centenas de fiéis voltam a encarar os quase 40 quilômetros de ida e mais 40 de volta na tradicional caminhada da Romaria de Pedestres da Vila Arens. Neste ano, o evento chega à 89ª edição e, mais uma vez, reforça sua marca histórica de devoção, inclusão e de graças alcançadas.

A caminhada começa às 21h desta sexta-feira (8), após a bênção aos fiéis na Igreja Nossa Senhora da Conceição, na Vila Arens. A programação da romaria inclui também diversos momentos de fé, reza do terço e celebração ao longo do percurso.

Programação e retorno

No domingo (10), às 4h30, é realizada a Santa Missa no Santuário de Pirapora do Bom Jesus. Para aqueles que não puderem comparecer presencialmente, este ano novamente a missa será transmitida ao vivo pelos canais oficiais da Paróquia Nossa Senhora da Conceição nas redes sociais. Na sequência, os romeiros iniciam o retorno para Jundiaí, onde são aguardados com festa. A previsão é de chegada às 16h de domingo na Igreja Nossa Senhora da Conceição, onde os romeiros serão recebidos pela Banda São João Batista e por familiares, em um momento de muita confraternização, emoção e encerramento da romaria.

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O abraço de pai e filho e a herança de fé na estrada

Para Cláudio Gut e seu filho, Leonardo Gut, de Várzea Paulista (SP), a estrada para Pirapora é uma linda herança de família. A tradição começou com o avô paterno, que fazia o trajeto a cavalo. Hoje, a conexão é direta com os pés no chão: Cláudio completa 35 anos de romaria, e Leonardo celebra sua 20ª participação. "É um momento único de parceria e companheirismo. Fazemos muito mais para agradecer as graças recebidas e fortalecer a nossa fé. O sacrifício da caminhada é superado quando relembramos o calvário de Cristo", conta Cláudio.

A fé da família Gut é alimentada por momentos marcantes de superação e carinho. O primeiro deles foi a cura de um parente, após enfrentar um sério problema de saúde. O outro momento inesquecível aconteceu na caminhada do ano passado, em um trecho silencioso próximo à represa, e trouxe um carinho que pai e filho guardam no coração até hoje. "Estávamos caminhando sozinhos no escuro, conversando com muita saudade sobre o meu pai, que também era romeiro e já faleceu. Falávamos de como eram as romarias antigamente, quando sentimos uma presença muito forte ao nosso lado. Não havia ninguém fisicamente ali na estrada, mas o sentimento de que ele estava nos acompanhando, caminhando com a gente, foi tão profundo que nos arrepiou e nos trouxe um consolo inexplicável", relembra Cláudio.

Para Leonardo, essa ligação com a fé e com as próprias origens define o que é a romaria: "Somos romeiros por natureza. É algo que faz parte de nós e, enquanto a saúde permitir, sempre seremos romeiros do Bom Jesus". Cláudio Gut ainda resume: para quem tem fé, a estrada para Pirapora nunca é um caminho de ida e volta, mas, sim, um eterno recomeço. "Sabemos que a jornada é difícil, mas esperamos o ano inteiro por ela. Maio, para nós, é sagrado. Viva o Senhor Bom Jesus."

A cura na estrada: 'O dia em que renasci'

Para o corretor de imóveis Ricardo Pinto Teixeira, o Ricardinho, a romaria de 2008 foi o divisor de águas de sua vida. Fumante desde os 13 anos e convivendo com consumo de bebidas alcoólicas, ele já havia sobrevivido a um grave acidente de carro que o deixou confinado a uma cama de hospital por um ano. Para ele, Deus, no entanto, tinha um plano desenhado para o seu caminho. Em 2008, após um convite de amigos, ele decidiu caminhar até Pirapora. "Acredite: chegando lá, no meio de uma confraternização, com churrasco, eu não tive a menor vontade de fumar ou beber. Fiquei apenas no refrigerante. Naquele dia, a força do Espírito Santo me libertou. Este ano, vou comemorar 18 anos longe do cigarro e do álcool. Louvo a Deus por isso todos os dias", celebra Ricardinho, que hoje coordena o Terço dos Homens na Paróquia de Santo Antônio do bairro Anhangabaú.

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Inclusão e perseverança: a força de Daniel

A romaria também é o espaço onde limites físicos deixam de existir. Daniel Expedito Gazolla, que tem paralisia cerebral, completa este ano sua 9ª romaria. Convidado anos atrás pelo professor Romualdo, ele encontrou na estrada uma segunda família. Para Daniel, o cansaço do asfalto é pequeno perto do combustível que ele recebe de volta a cada chegada ao santuário. "A minha fé me fortalece para não desistir dos meus sonhos, mesmo diante de todas as dificuldades. Faço questão de estar na romaria pela fé e também pelo carinho com que meus amigos romeiros me acolheram. É um momento de muita reflexão sobre a minha vida, e eu sempre volto renovado espiritualmente", relata Daniel.

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