Quaresma, Ramadã e Ano-Novo Chinês se alinham pela primeira vez desde 1863
Quaresma, Ramadã e Ano-Novo Chinês se alinham desde 1863

Alinhamento histórico: Quaresma, Ramadã e Ano-Novo Chinês coincidem pela primeira vez em 161 anos

Circula nas redes sociais a informação de que, neste ano, as datas de início da Quaresma, do Ramadã e do Ano-Novo Chinês se alinharam pela primeira vez desde 1863. Após verificação, trata-se de um fato confirmado, um evento raro que não se repetia há mais de um século e meio.

O que dizem as publicações virais?

Publicações divulgadas nesta quarta-feira (18) afirmam que as três tradições religiosas começaram no mesmo período, um fenômeno descrito como "histórico". A Quaresma, período de 40 dias celebrado por católicos entre o Carnaval e a Páscoa; o Ramadã, mês sagrado do islamismo; e o Ano-Novo Chinês, feriado baseado no calendário lunar e associado ao budismo, de fato iniciaram suas celebrações com proximidade temporal inédita desde o século XIX.

Por que é fato?

Uma compilação detalhada das datas de início das três tradições desde o século 19, utilizando conversões precisas entre calendários, revelou que a coincidência ou proximidade de até um dia entre elas ocorreu apenas em dois anos: 1863 e 2026. A Quaresma começou nesta quarta-feira (18), marcando um período de jejum, oração e generosidade. O Ramadã também teve seu primeiro dia na quarta, incentivando práticas espirituais semelhantes. Já o Ano-Novo Chinês começou na terça-feira (17), seguindo o ciclo lunar e inaugurando o Ano do Cavalo de Fogo, que simboliza paixão e transformações.

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Calendários em sincronia inspiram reflexão sobre harmonia

Além da rara coincidência calendárica, representantes religiosos enxergam no alinhamento um momento profundo de reflexão. A abadessa Miao You, do Templo Zulai, maior templo budista da América Latina, destaca que o evento lembra a possibilidade de coexistência em harmonia, independentemente das diferenças culturais ou étnicas. "Todos podem celebrar juntos, respeitando uns aos outros", afirma.

Ali Zoghbi, presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), ressalta que as práticas comuns, como o jejum, servem como instrumentos de sensibilidade e aprimoramento espiritual, reforçando valores humanitários. O padre José Bizon, responsável pelo diálogo inter-religioso na Arquidiocese de São Paulo, complementa que a coincidência evidencia as semelhanças entre catolicismo, islamismo e budismo, especialmente na ênfase à oração, jejum e caridade.

Este alinhamento histórico não é apenas uma curiosidade numérica, mas um símbolo poderoso de como tradições diversas podem convergir em princípios universais de respeito e solidariedade, oferecendo uma oportunidade única para diálogo e compreensão mútua em um mundo cada vez mais interconectado.

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