Com a aproximação da edição de 2026 da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, um dos espetáculos religiosos mais emblemáticos do Brasil, a memória da polêmica envolvendo o ator José Loreto na temporada anterior ressurge com força. Em 2025, o artista alcançou repercussão nacional ao interpretar Jesus Cristo na encenação, poucas semanas depois de ter representado o Diabo no desfile da escola de samba Unidos de Vila Isabel, durante o Carnaval do Rio de Janeiro.
O retorno da controvérsia e a nova edição
Neste ano, o espetáculo será realizado entre os dias 28 de março e 4 de abril, na cidade de Brejo da Madre de Deus, localizada no Agreste de Pernambuco. As apresentações acontecem na famosa cidade-teatro situada no distrito de Fazenda Nova. Para a edição de 2026, o ator Dudu Azevedo foi oficialmente escalado para assumir o papel de Jesus Cristo, substituindo José Loreto no protagonista.
A origem da polêmica e a reação do ator
A controvérsia em torno de José Loreto começou quando o artista foi anunciado como o intérprete principal da encenação religiosa. Semanas antes, ele havia participado do desfile da Vila Isabel, representando uma figura demoníaca inspirada na lenda irlandesa de Jack Lanterna, a abóbora iluminada, ao lado do ator Amaury Lourenço. A história narra um homem que engana o diabo, mas acaba rejeitado tanto no céu quanto no inferno, condenado a vagar eternamente.
A situação gerou uma onda de críticas nas redes sociais, principalmente devido à proximidade temporal entre os dois papéis antagônicos. A repercussão negativa levou José Loreto a se manifestar publicamente, através de um vídeo publicado em suas redes sociais. Na ocasião, o ator afirmou que o que mais o motiva profissionalmente é interpretar personagens extremos, tanto mocinhos quanto vilões, com o objetivo de provocar diferentes emoções no público.
"O que mais me motiva é representar personagens extremos, fazer o público rir, chorar e se questionar", declarou Loreto na publicação. Ele ainda ressaltou que não se incomodava com o debate sobre os papéis, mas criticou veementemente o teor de ódio presente em parte das mensagens que recebeu.
O espetáculo da Paixão de Cristo e seu legado
A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém é realizada tradicionalmente durante a Semana Santa e costuma reunir atores renomados da dramaturgia nacional em seu elenco. A montagem acontece em uma cidade-teatro com aproximadamente 100 mil metros quadrados, considerada o maior teatro ao ar livre do planeta.
Na 57ª temporada do espetáculo, além de Dudu Azevedo no papel de Jesus, o elenco principal conta com Beth Goulart interpretando Maria, Marcelo Serrado como Pilatos e Carlo Porto no papel de Herodes. Os artistas se apresentarão nos nove palcos monumentais da cidade-teatro, ao lado de atores pernambucanos e centenas de figurantes dedicados.
O espetáculo encena os últimos dias de Jesus, desde o Sermão da Montanha até a sua ascensão. A edição de 2026 também terá uma programação especial em homenagem ao centenário de Plínio Pacheco, o idealizador da encenação que, há décadas, atrai milhares de espectadores ao Agreste pernambucano, consolidando-se como um marco cultural e religioso no Brasil.



