Em uma entrevista recente, o padre Fábio de Melo, de 55 anos, abordou a questão da sexualidade no sacerdócio, afirmando que ela está presente na vida de um padre, embora não signifique necessariamente uma vida sexual ativa. O religioso comentou as especulações sobre sua intimidade e disse estar acostumado a ter sua orientação sexual questionada publicamente, algo que, segundo ele, acompanha quem escolhe o sacerdócio.
Críticas e ataques pessoais
Ao falar sobre as críticas recebidas nas redes sociais, inclusive após ser alvo de comentários de uma deputada, Fábio de Melo afirmou que prefere não reagir a ataques pessoais. "Essa pessoa me conhece? Já participou da minha intimidade? Como posso reagir a isso? Da maneira como escolhi viver: fazendo o bem a quem puder. Se for interromper o que faço para cuidar de cada um que tem opinião sobre mim, não vou viver", declarou.
Sexualidade versus vida genital
Questionado diretamente sobre a existência de sexualidade no sacerdócio, o padre fez uma distinção entre sexualidade e vida genital. "Claro! Pode não ter a vida genital, mas a sexualidade envolve todos os nossos afetos. A força da comunicação vem de onde? É sempre de sedução. Na linguagem, todos os recursos humanos se manifestam. E a isso chamamos de sexualidade também", comentou durante participação no videodecast Conversa Vai, Conversa Vem.
Celibato e desejo
O religioso também falou sobre o celibato e a relação com o desejo. Segundo ele, a vivência religiosa exige esforço para manter a escolha feita. "Com as dificuldades que uma pessoa precisa para ser fiel ao que escolheu. A vida de um padre tem limites e possibilidades", afirmou. Ao abordar a renúncia aos desejos carnais, Fábio de Melo destacou que outras formas de realização ajudam a lidar com essa escolha. "Gosto de estudar, ler. Minha opção pela arte me ajuda a sublimar. Limitamos desejos aos carnais. Mas os desejos espirituais são maravilhosos", completou.
O debate em torno da sexualidade de padres, segundo ele, é recorrente e, no seu caso, já não provoca incômodo. "A vida sexual de um padre sempre gera curiosidade. Estou acostumado", disse.



