Titãs celebram 40 anos de 'Cabeça Dinossauro' com turnê e memórias da virada
Titãs celebram 40 anos de 'Cabeça Dinossauro' com turnê

Titãs celebram 40 anos de 'Cabeça Dinossauro' com turnê e memórias da virada

Tony Bellotto, Branco Mello e Sérgio Britto, membros dos Titãs, compartilharam detalhes sobre a nova turnê que comemora as quatro décadas do lançamento do álbum Cabeça Dinossauro. Em entrevista à TV Globo e ao g1, no estúdio da banda na Vila Madalena, em São Paulo, o trio relembrou os primeiros anos do grupo, marcados por shows restritos a poucas cidades e uma busca por identidade sonora.

Os primeiros passos e a virada musical

Branco Mello, vocalista e baixista, contou que, em 1986, a agenda dos Titãs era limitada: "Antes a gente só tocava no Rio, São Paulo...". Sérgio Britto, tecladista e vocalista, brincou: "São Paulo, São Paulo, São Paulo...", enquanto Tony Bellotto, guitarrista, completou: "Santo André, São Bernardo... Santos". O primeiro show no Rio de Janeiro foi no Circo Voador, onde abriram para Celso Blues Boy e receberam vaias, conforme lembrou Britto rindo.

O terceiro álbum de estúdio, Cabeça Dinossauro, produzido por Liminha em 1986, representou uma virada. Bellotto explicou: "Eu acho que ali a gente encontrou a nossa linguagem. Os primeiros discos vão para um lado, para o outro. No 'Cabeça', a gente conseguiu ser mais conciso e achar uma estética nossa, vocais gritados, letras muito precisas, diretas, claras". Britto acrescentou que, nos primeiros álbuns, a banda era barulhenta ao vivo, mas os discos soavam domesticados, com guitarras sumindo.

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Sucesso inesperado e impacto cultural

O álbum vendeu cerca de 300 mil cópias na época, um feito inédito para os Titãs, e pavimentou um caminho de sucesso nacional. Mello destacou: "É, e com o Cabeça a gente conheceu o Brasil. Viajamos, começou a história de turnê nacional". Bellotto relacionou o momento político do fim da ditadura militar ao disco: "Ele expressa um pouco essa vontade de liberdade, de poder falar qualquer coisa, de poder gritar".

Sobre a gravação, Britto lembrou que a banda entrou no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, com o repertório bem ensaiado: "Ele chegou muito mastigado e redondo". Bellotto contou que as sessões foram divertidas, com visitas de músicos como Evandro Mesquita, da Blitz, e os Paralamas do Sucesso.

A nova turnê e o show em São Paulo

Para comemorar os 40 anos, os Titãs preparam um show especial neste sábado, 28 de março, no Espaço Unimed, na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. Bellotto explicou: "A ideia é tocar o disco na íntegra, na ordem dos antigos lado A e lado B. Depois, uma segunda parte com outras músicas do nosso repertório que têm mais a ver com o Cabeça. Rocks mais pesados".

Britto adiantou que o espetáculo contará com um aparato visual elaborado por Otavio Juliano, prometendo uma experiência impactante. A banda também incluirá Beto Lee e Alexandre de Orio nas guitarras e Mario Fabre na bateria.

Reflexões sobre o legado

Questionados sobre o lugar de Cabeça Dinossauro na música brasileira, Britto respondeu: "Com certeza ele faz parte e eu até entendo o porquê. Porque ele é um disco que tem uma peculiaridade grande na trajetória, mesmo dentro do pop". Mello lembrou que o álbum quebrou barreiras nas rádios e televisão, com faixas como "AA UU" entrando em trilhas de novela.

Bellotto finalizou: "Quarenta anos parece tanto tempo e ele continua sendo um disco atual. Isso é muito legal". A turnê reforça a relevância contínua do trabalho dos Titãs no cenário do rock nacional.

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