Banda cover de Mamonas Assassinas mantém legado vivo em apresentações pelo interior paulista
Desde 2019, uma banda cover formada em Itapetininga, no interior de São Paulo, dedica-se a honrar o legado dos icônicos Mamonas Assassinas. O grupo, chamado João do Caminhão, busca reproduzir com fidelidade o carisma, a presença de palco e as letras polêmicas que marcaram gerações na década de 1990. Nesta segunda-feira (2), completam-se 30 anos do trágico acidente aéreo que vitimou os cinco integrantes originais da banda em 2 de março de 1996, na Serra da Cantareira, na Zona Norte da capital paulista.
Vocalista encontra identidade em timbre similar ao de Dinho
Djan Carvalho, vocalista do cover, interpreta Dinho, o falecido frontman dos Mamonas. Fã do grupo desde os 14 anos, Djan, hoje com 46, descobriu sua semelhança vocal em karaokês pela cidade. “É libertador, eu subo no palco e brinco. É ele (Dinho) quem toma conta, me identifico muito e me espelho nele”, relata. Na época de auge da banda original, as canções de duplo sentido não eram bem vistas em ambientes religiosos, o que limitou seu contato direto com o fenômeno na juventude.
Unindo-se a Geraldo Toledo, Eduardo Borges, Kayo Mariano e Reginaldo Silva, Djan transformou uma brincadeira em tributo sério. A primeira apresentação, um show beneficente em uma sorveteria da Vila Carolina, em Itapetininga, cativou o público e até emocionou familiares de Júlio Rasec, tecladista dos Mamonas, que estiveram presentes. “Deu um gás. Eu acho que a gente está no caminho certo”, comemora o vocalista.
Espetáculo imersivo recria figurinos e trejeitos originais
Nos palcos, o grupo não se limita a executar clássicos como “Robocop Gay”, “Pelados em Santos” e “Vira-Vira”. Eles investem em figurinos detalhados e estudam minuciosamente apresentações televisivas e trejeitos dos integrantes originais para oferecer uma experiência autêntica. “A minha missão, eu como banda, é manter a memória viva. É plantar a semente para que daqui mais 30 anos falem sobre. Manter o legado”, enfatiza Djan.
O impacto emocional do tributo ficou evidente em um show em Angatuba, em dezembro de 2020, quando uma fã chorou durante toda a apresentação, relembrando sua adolescência. “A banda traz memória afetiva para as pessoas”, reflete o vocalista, destacando a importância cultural dos Mamonas, que abordavam temas sensíveis com leveza e autenticidade.
Polêmicas e adaptações para os dias atuais
As letras ousadas dos Mamonas, que em 1995 conquistaram o Brasil com frases como “Boneca cibernética, um robocop gay”, hoje exigem cuidados. Djan acredita que, se o grupo surgisse atualmente, poderia enfrentar cancelamento nas redes sociais. Por isso, em cada show, o cover alerta os adultos sobre o teor das músicas, embora considere que crianças dificilmente percebam os duplos sentidos. “Não é Patati e Patatá, é um show cover do Mamonas Assassinas, o que vocês esperavam encontrar?”, questiona.
Sucesso em Barretos e superação de desafios
Uma grande oportunidade surgiu em 2023, quando o grupo foi convidado para se apresentar na Festa do Peão de Barretos. O desafio era competir com a dupla Bruno e Marrone, que ocupava o palco principal no mesmo horário. Com a ajuda do comediante Marcus Cirillo, que gravou um vídeo de apoio e compareceu com mais de 80 pessoas, o cover garantiu um público entusiasmado, consolidando sua relevância na cena musical regional.
Legado de uma tragédia que marcou o Brasil
O acidente aéreo de 2 de março de 1996 não só ceifou a vida dos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas – Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli –, mas também de um ajudante de palco, um segurança e a tripulação da aeronave. Na época, a banda vivia o auge do sucesso, com um disco de estúdio que mesclava rock cômico, forró e influências portuguesas, conquistando fãs de todas as idades. Três décadas depois, covers como o de Itapetininga garantem que essa história continue ecoando, emocionando e divertindo novas gerações.



