Carlinhos Brown lança 'Boca Risonha' unindo Marabaixo ancestral e eletrônica
As profundas raízes da cultura amapaense ressoam por todo o Brasil através da voz e da batida inconfundível de Carlinhos Brown. O renomado cantor e compositor lançou oficialmente nesta sexta-feira, dia 6, a faixa musical intitulada "Boca Risonha", uma obra que realiza uma fusão audaciosa entre o batuque ancestral do Marabaixo e a pulsação vibrante da música eletrônica moderna.
Encontro entre tradição e inovação musical
A produção artística é assinada pelo talentoso DJ Felipe Poeta e reúne de forma colaborativa diversos artistas originários do Amapá. A canção é fruto de meses de intenso processo criativo e carrega consigo a essência única de cada participante envolvido. Trata-se de um verdadeiro encontro harmonioso entre tradição e modernidade, onde os sons orgânicos da floresta amazônica dialogam de maneira criativa com sintetizadores eletrônicos, tudo isso preservando e celebrando a rica identidade cultural da região.
Na gravação da faixa, brilham nomes consagrados da música popular amapaense, incluindo Ryan Newman, Jhimmy Feiches, Patrícia Bastos e Fineias Nelluty. Juntos, eles conduzem os ouvintes a um universo musical alto astral, profundamente marcado pelas referências culturais da chamada Amazônia Negra, expressão que reconhece a forte presença afrodescendente na região.
Brown como embaixador cultural do Marabaixo
Carlinhos Brown, que foi nomeado "embaixador do Marabaixo" no Estado do Amapá, descreve a faixa "Boca Risonha" como uma ponte simbólica que conecta o Amapá ao restante do país. Vale destacar que o Amapá é o único Estado brasileiro que não possui acesso por via terrestre, o que torna essa conexão cultural ainda mais significativa. Para o artista, a parceria estabelecida com Felipe Poeta representa também uma forma poderosa de apresentar e valorizar essa cultura ancestral para as novas gerações.
"Felipe representa essa juventude de um Brasil que acena para encontrar mais de 90% de floresta em pé, a possibilidade de erguer novas árvores e que elas sejam musicais. Que a estrada de terra que falta para nos ligar com o Amapá seja suas linhas melódicas, suas partituras, seus poetas, seus cantores e sua cultura afro-ameríndia-franco-brasileira", declarou Brown com entusiasmo.
Gênese criativa e respeito às tradições
Felipe Poeta relembra que a ideia inicial para a música surgiu durante uma conversa inspiradora com Carlinhos Brown. Motivado pela proposta, o DJ passou uma madrugada inteira experimentando e misturando sons característicos da floresta com elementos de beatbox e gravações diversas. "Ali rolou o auge da originalidade pra nós dois", contou Felipe sobre o momento criativo.
O produtor musical enfatiza que todo o processo de criação foi conduzido com profundo respeito aos traços fundamentais da cultura amapaense, harmonizando de maneira cuidadosa o batuque ancestral com sonoridades contemporâneas. Para ele, a faixa "Boca Risonha" se apresenta como uma valiosa oportunidade para despertar a curiosidade do público sobre o Marabaixo e suas origens.
"É uma grande esperança que nós temos, que quando vocês escutarem vocês possam ter a curiosidade de saber: O que é o Marabaixo? E que tudo isso seja o começo de uma pesquisa, para que vocês possam entender como o Marabaixo influencia tantos outros ritmos populares", explicou Felipe Poeta, destacando o potencial educativo da obra.
Perfil do produtor e impacto cultural
Felipe Poeta é um DJ e produtor musical de apenas 23 anos que se destaca por conectar referências da música urbana brasileira à cena eletrônica internacional. Suas influências musicais são vastas e ecléticas, indo desde artistas como Fisher e Fred Again até o samba tradicional de Cartola e Paulinho da Viola. Fundador da Tha House Company em 2021, ele atua tanto como produtor quanto como articulador criativo, promovendo encontros enriquecedores entre o eletrônico, o funk e diversas outras expressões culturais brasileiras.
A capa visual da música "Boca Risonha" foi produzida durante as viagens frequentes de Carlinhos Brown ao Amapá, reforçando ainda mais a conexão autêntica do projeto com a terra e a cultura que o inspirou. Esta iniciativa se soma a outras ações que buscam valorizar o Marabaixo, como seu uso como ferramenta pedagógica em escolas do interior amapaense, demonstrando o papel vital da música na preservação e transmissão do patrimônio cultural.
