Doja Cat provoca e domina palco em show agitado em São Paulo
Acompanhada pelo coro vibrante do público, fazendo caretas expressivas e com a haste do microfone estrategicamente posicionada entre as pernas, Doja Cat deu início ao seu aguardado show em São Paulo na noite desta quinta-feira, dia 5. A apresentação, que durou quase duas horas, foi um verdadeiro espetáculo de rebeldia e sensualidade, com a artista rebolando, esfregando-se no palco, mostrando a língua e arrancando peças do próprio look em momentos de pura teatralidade.
Retorno ao Brasil e carreira em evolução
Provocativa desde sempre, Doja Cat está em turnê promovendo o disco "Vie", lançado no ano passado. Ela não se apresentava no país desde 2022, quando foi uma das principais atrações do festival Lollapalooza, também realizado em São Paulo. Naquela época, a rapper vivia uma ascensão meteórica na indústria musical com o álbum "Planet Her", considerado um dos maiores fenômenos do rap contemporâneo.
De lá para cá, porém, Doja viu sua carreira enfrentar altos e baixos. Ela lançou projetos que receberam menos atenção, envolveu-se em algumas polêmicas e, gradualmente, perdeu o status de rapper do momento. No entanto, as fagulhas do sucesso voltaram a acender com o disco atual, e ela incorpora toda essa energia renovada no show, que mistura faixas novas com os clássicos favoritos dos fãs.
Repertório marcante e performance ousada
Entre os destaques do repertório estão a apaixonante "Kiss Me More", parceria com a cantora SZA que venceu o Grammy de melhor performance pop de duo, e "Woman", faixa com letra feminista, pegada sensual e batida dançante. Essa é a tônica dominante em toda a apresentação de Doja Cat, ressurgindo em músicas como "Need to Know" e a ousada "Wet Vagina", que em português significa vagina molhada, uma das composições mais audaciosas da artista.
Doja Cat apoia-se intensamente na linguagem corporal ao longo de toda a performance. Ela morde a ponta do dedo, lambe os lábios, encosta a língua na ponta do microfone e move as mãos pelo quadril com maestria. Vestindo um sutiã preto e branco, meia-calça de renda e uma calcinha de couro por cima, a rapper vai além da sensualidade explícita.
Evolução frenética e elementos surpreendentes
Conforme o show avança, Doja torna-se cada vez mais frenética, executando movimentos animalescos, arregalando os olhos, fingindo que está se drogando e até simulando possessão. Em um momento marcante, ela ergue o fio do microfone com o salto e canta com ele pendurado, a boca virada para cima, demonstrando total domínio cênico.
A rapper também surpreende ao conduzir grande parte do show no gogó, utilizando base vocal em poucos momentos. Ela tampouco se preocupa em soar afinada o tempo todo – em várias músicas, solta gritos esganiçados que contribuem para tornar sua apresentação ainda mais única e autêntica.
Estrutura do palco e interação com o público
Doja Cat passa parte do show em cima de um palco elevado montado sobre o palco principal da Suhai Music Hall, casa de shows inaugurada no ano passado dentro do Shopping SP Market. Embora simples, a plataforma ajuda a deixar a artista visível até para quem chegou mais tarde e ficou nas últimas fileiras da plateia. Ali também ficam os integrantes da banda, quase tão performáticos quanto ela, tocando instrumentos enquanto executam dancinhas sincronizadas.
A rapper conta com a companhia dos músicos e de duas backing vocals – não há balé, mas isso não faz falta. Sozinha, Doja Cat domina completamente o palco. No entanto, falta maior presença e interação com os próprios fãs. Ela interage pouco com o público, limitando-se aos tradicionais gritos de "Brasil" que todo artista estrangeiro costuma fazer.
Pelo menos, a artista presenteia os admiradores com rosas que atira para todos os lados da plateia ao final de "Jealous Type", no encerramento do show, deixando um gesto de carinho em meio à atmosfera intensa e provocativa que marcou sua volta ao Brasil.