Shakira uiva e se declara ao público em show histórico em Copacabana
Shakira uiva e se declara em show em Copacabana

Shakira se declarou ao público e uivou no palco de Copacabana neste sábado (2). Antes de subir ao palco da Praia de Copacabana, a cantora já sabia a dimensão do que encontraria no Rio. Após um show histórico no Zócalo, no México, ela chegou a Copacabana para mais um capítulo marcante de sua trajetória. O roteiro era familiar para os fãs brasileiros, mas não idêntico. Depois de trazer a turnê "Las Mujeres Ya No Lloran" ao país em 2025, a cantora promoveu ajustes no repertório para a escala monumental de Copacabana. Na esteira das passagens de Lady Gaga e Madonna, Shakira sabia o peso simbólico dessa apresentação. Nas semanas que antecederam o show, alimentou a expectativa dos fãs nas redes sociais, definiu a noite como um sonho e escreveu um artigo para o jornal O Globo em homenagem à força das mulheres latinas. Apesar do atraso de mais de uma hora, o público não desanimou. O maior trunfo da apresentação esteve na energia física da artista: ela conduziu a plateia com tanta intensidade que era difícil resistir ao impulso de dançar.

Abertura eletrizante e celebração feminina

A abertura com "La Fuerte" já antecipava o clima do espetáculo: uma faixa eletrônica pulsante que serviu como declaração de intenções. Na sequência, "Girl Like Me" reforçou uma das marcas da noite: a celebração das mulheres, especialmente das latinas. O ritmo seguiu com "Las de la Intuición" e "Estoy Aquí", embora esta última tenha aparecido em versão reduzida — breve demais para um dos hits mais queridos pelo público brasileiro.

Emoção e intimidade

“Eu não posso acreditar que estou com vocês. Pensar que cheguei aqui com 18 anos… e agora olha isso. A vida é mágica. Não existe coisa melhor do que uma lobinha encontrar sua alcateia brasileira”, disse Shakira, antes de engatar "Empire" e "Inevitable", faixa em que exibiu sua potência vocal. A emoção tomou conta quando imagens de seus filhos, Milan e Sasha, surgiram nos telões durante "Acróstico". Escrita como uma carta de amor para os dois, a faixa transformou o espetáculo em um raro momento de intimidade. O clima esquentou com o medley de "Copa Vacía", "La Bicicleta" e "La Tortura", uma síntese da latinidade que atravessa sua obra. São hits que sustentariam performances inteiras, mas um repertório tão extenso exige concessões. Como era esperado, o ápice da dança veio com "Hips Don't Lie", quando seus quadris voltaram a justificar a fama construída ao longo de décadas. Para alegria dos fãs, a colombiana inseriu "Loca" e "Can't Remember to Forget You", músicas que não são muito frequentes nos setlists dos shows mais recentes.

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Homenagens às mães solteiras e parceria com Anitta

"No Brasil existem mais de 20 milhões de mães solteiras, eu sou umas delas. Eu dedico esse show a todas elas", falou na introdução de "Soltera". Quando chegou a vez de apresentar Anitta, Shakira a chamou de "rainha". Essa foi a primeira vez que elas se cantaram juntas ao vivo "Choka Choka".

Clássicos dos anos 90 e memória afetiva

Antes da loba, existiu a roqueira de cabelos pretos e, em um show desse porte, era impossível deixar os clássicos dos anos 90 de fora. Foi nesse momento que a cantora apostou na memória afetiva dos fãs, exibindo nos telões imagens do início de sua carreira. Ela engatou "Pies Descalzos, Sueños Blancos" e "Antología", em uma versão acústica. Ela até tentou pedir ajuda para o público cantar, mas o público demorou a responder, e o clima esfriou por alguns instantes.

Participações especiais: Caetano Veloso, Maria Bethânia e Ivete Sangalo

Ter participações especiais em megashows não é novidade. Mas a presença de Caetano Veloso e Maria Bethânia pegou o público de surpresa já nos ensaios. Ao lado de Bethânia e dos integrantes da bateria da Unidos da Tijuca, Shakira cantou “O Que É, O Que É?” (1982), um dos maiores sucessos de Gonzaguinha. Já o encontro com Caetano emocionou ao cantar “Leãozinho", música que a colombiana entoa para o filho Milan dormir. Repetindo o Rock in Rio de 2011, Shakira voltou a dividir o palco com Ivete Sangalo cantando "Pais Tropical". Claro que a baiana transformou a breve participação em uma mini micareta.

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Simplicidade e grandiosidade

Embora tenha ocupado o maior palco da história do evento, isso não significou apoio em grandes cenários. Muito pelo contrário: a grandiosidade foi sustentada por elementos simples e pela força da performance. Superadas as baladas e a carga emocional, a reta final elevou novamente a temperatura com "Whenever, Wherever" e o hino da 2010 FIFA World Cup, "Waka Waka (This Time for Africa)", com o influenciador do Complexo da Maré Raphael Vicente.

Final apoteótico: a loba e sua alcateia

As areias de Copacabana se transformaram em uma floresta de lobas, uivando em coro enquanto os mandamentos da loba eram projetados nos telões e uma estrutura gigantesca de lobo invadia o palco. Até que a loba-mor surgiu para cantar "She Wolf" e "Bzrp Music Sessions, Vol. 53". Após mais de duas horas de show, ficou a certeza de que Shakira mantém um domínio de palco impressionante e uma voz que ainda carrega a força da jovem de 19 anos que conquistou o Brasil há quase três décadas. Se Copacabana é, como a própria artista definiu, um altar da Terra, essa noite ela ocupou o centro dele, reverenciada por uma multidão de súditos da loba.