Cinebiografia de Michael Jackson busca limpar imagem e impulsionar legado bilionário
Filme de Michael Jackson tenta limpar imagem e lucrar com legado

Cinebiografia de Michael Jackson busca limpar imagem e impulsionar legado bilionário

O apelo comercial do Rei do Pop está sendo testado novamente com uma cinebiografia grandiosa que intencionalmente ignora controvérsias para renovar sua imagem póstuma e capitalizar um espólio avaliado em impressionantes 3,5 bilhões de dólares. A produção cinematográfica Michael, dirigida por Antoine Fuqua e protagonizada pelo sobrinho Jaafar Jackson, chega aos cinemas envolta em expectativas e debates acalorados sobre a verdadeira missão por trás das telas.

Trajetória de ascensão e fama precoce

Na vida repleta de altos e baixos de Michael Jackson, a fama sempre foi uma constante desde os primeiros anos. O cantor tinha apenas seis anos de idade quando começou a cantar profissionalmente no grupo The Jackson 5 ao lado de quatro de seus oito irmãos. No final da década de 1960, Michael mal havia chegado à puberdade e já conhecia bem as paradas de sucesso, com o grupo desbancando até os Beatles nos rankings musicais da época.

No caminho acelerado ao estrelato, o caçula de talento indubitável superou os irmãos e continuou a crescer artisticamente, sendo coroado Rei do Pop — um trono assegurado por ele até os dias atuais, mesmo após sua morte em 2008, aos 50 anos, por overdose de anestésicos. Esta trajetória de ascensão conduz agora a primeira grande cinebiografia oficial do cantor, que custou estonteantes 155 milhões de dólares e tem como missão renovar o gosto do público pelo astro incompreendido.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Controvérsias deliberadamente excluídas

Manter a imagem póstuma de um artista em alta — e, de preferência, imaculada — é parte essencial do trabalho de quem administra um espólio valioso e rentável. O trabalho seria muito mais simples não fossem dois fatores complicadores: o histórico complexo de desentendimentos dentro da família Jackson e o passado de acusações de pedofilia contra o cantor.

Segundo reportagens especializadas, os bastidores do filme foram marcados por intensas discussões e idas e vindas criativas, com direito a uma refilmagem que custou 15 milhões de dólares especificamente para eliminar qualquer alusão ao primeiro processo enfrentado por Michael por abuso de menor. Em 1993, o artista firmou um acordo extrajudicial com a família de Jordan Chandler, então com 13 anos, estimado em 22 milhões de dólares. Outro julgamento, em 2005, inocentou o cantor por falta de provas concretas.

Documentário impactante e reações legais

Após sua morte, as denúncias pareciam seguir para o vale do esquecimento, não fosse o impactante documentário Deixando Neverland, lançado pela HBO em 2019. Na produção, Wade Robson e Jimmy Safechuck revelam em detalhes como, na infância, teriam sido abusados por Michael Jackson, descrevendo um modus operandi que envolvia encantar os pais com sua fama estelar e favores financeiros.

Os advogados do espólio do cantor responderam processando o canal, pedindo 100 milhões de dólares em indenizações — um imbróglio legal que culminou na retirada do documentário de diversas plataformas de streaming. A verdade sobre as acusações, porém, parece ser de menor importância para os estrategistas por trás do novo filme, que focam no potencial comercial do legado artístico.

Rentabilidade póstuma impressionante

Michael Jackson se mantém como o artista morto mais rentável da indústria do entretenimento. Na Broadway, o espetáculo biográfico MJ, lançado em 2021, é um dos mais lucrativos do reduto teatral, superando 300 milhões de dólares em ingressos vendidos. Já o show fixo Michael Jackson One, do Cirque du Soleil em Las Vegas, é o mais bem-sucedido da história da trupe circense, mantendo-se há treze anos ininterruptos em cartaz.

No mundo do streaming digital, o cantor ocupa atualmente a 27ª posição entre os artistas mais ouvidos na plataforma Spotify, demonstrando sua contínua relevância entre novas gerações de ouvintes. A renda de seu espólio é dividida estrategicamente: 40% para a mãe Katherine, de 95 anos, 40% para os três filhos do artista e 20% destinados a instituições de caridade.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Conflitos familiares e administração do legado

Os irmãos de Michael também lucram de forma paralela, com shows e tributos — quatro deles, Jackie, Jermaine, La Toya e Marlon, estão diretamente envolvidos na produção do novo filme. O clã Jackson, no entanto, está longe de ser um exemplo de administração harmoniosa do nome familiar, com uma das herdeiras chegando a criticar abertamente a produção cinematográfica.

"O filme bajula os fãs do meu pai que ainda vivem uma fantasia", declarou Paris Jackson, uma das filhas do artista. Apesar dessas confusões familiares, a força do astro parece se sobrepor a discordâncias internas, garantindo a rentabilidade longeva de sua obra artística através das décadas.

Influência artística duradoura

O talento multifacetado de Michael Jackson para cantar, dançar, compor e se apresentar no palco dita, ainda hoje, o caminho de qualquer estrela do pop que se preze. Expandindo criativamente o gênero que o consagrou, Jackson demonstrou versatilidade impressionante ao longo da carreira, aderindo a tendências da discoteca, colaborando com lendas como Paul McCartney e Stevie Wonder, e criando clipes visuais suntuosos que quebraram a hegemonia do rock na programação da MTV.

Na cinebiografia oficial que chega aos cinemas, o que vale é a celebração no tom idealizado da Terra do Nunca, sem direito a nenhuma desafinada que possa manchar a imagem cuidadosamente reconstruída do Rei do Pop para as novas gerações.