Ana Paula Maia é semifinalista do International Booker Prize com obra traduzida
Ana Paula Maia é semifinalista do International Booker Prize

Escritora brasileira alcança semifinal de prestigiado prêmio literário internacional

A escritora fluminense Ana Paula Maia, natural de Nova Iguaçu, foi oficialmente anunciada nesta terça-feira, 24 de setembro, como uma das treze semifinalistas do International Booker Prize, reconhecido como um dos mais importantes e respeitados prêmios de literatura em escala global. Esta distinção coloca a autora brasileira em evidência no cenário literário internacional, representando uma conquista significativa para as letras nacionais.

Obra premiada no Brasil agora brilha no exterior

O livro que garantiu esta indicação é "Assim na terra como embaixo da terra", originalmente publicado no Brasil em 2017, onde já recebeu importantes premiações e reconhecimento crítico. Para concorrer ao International Booker Prize, a obra foi traduzida para o inglês com o título "On Earth as It is Beneath", trabalho realizado em 2025 pela editora Charcopress, especializada em literatura latino-americana. Esta tradução permitiu que a narrativa poderosa de Ana Paula Maia alcançasse jurados e leitores internacionais.

Jurados destacam prosa "maestral" e enredo impactante

No site oficial do prêmio, a banca de jurados descreveu a prosa de Maia utilizando o adjetivo "maestral", ressaltando a qualidade excepcional de sua escrita. Eles caracterizaram o romance como "vívido e assombroso", situado em uma colônia penal remota onde a punição suplantou completamente a justiça. Os avaliadores enfatizaram que se trata de "uma exploração aguda e desconcertante do poder e da corrupção", elementos centrais que permeiam toda a trama.

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Enredo sombrio se passa em colônia penal com passado tenebroso

A narrativa desenvolve-se em uma instituição carcerária construída sobre um terreno com um histórico profundamente tenebroso, marcado pela tortura de escravos e assassinatos. Esta prisão foi projetada especificamente para impedir, de forma absoluta, qualquer tentativa de fuga por parte dos detentos. No momento em que a história se desenrola, a instituição está prestes a ser desativada, e uma aparente calma paira sobre seus últimos dias de funcionamento.

Ao longo das páginas, no entanto, os horrores que estão entranhados nas próprias paredes do local vão sendo gradualmente revelados aos leitores. Um dos elementos mais marcantes e sinistros da trama é um jogo macabro comandado pelo agente responsável pela colônia penal, Melquíades. Nas noites de lua cheia, ele solta alguns condenados de suas amarras e ordena que corram, apenas para caçá-los com um rifle, tratando-os como se fossem animais selvagens.

Reconhecimento da crítica internacional consolida mérito literário

A obra também recebeu elogios expressivos de Gabino Iglesias, respeitado crítico do New York Times, que classificou o livro como "inventivo e impávido". Iglesias destacou que, "enquanto a atmosfera pesa com brutalidade e assassinato, a prosa de Maia oferece o equilíbrio perfeito - é bela e te prende". Este reconhecimento por parte de uma voz influente da crítica internacional reforça o valor literário da narrativa e sua capacidade de ressoar com públicos diversos.

A indicação de Ana Paula Maia ao International Booker Prize não apenas celebra o talento individual da autora, mas também projeta a literatura brasileira contemporânea em um palismo global, demonstrando a força e a relevância de nossas produções culturais no exterior.

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