Vivianne Wakuda: Da lavoura de Ibiúna ao reconhecimento nacional na confeitaria
A história de Vivianne Wakuda, 38 anos, é um testemunho de resiliência e talento que transcende origens humildes. Antes de se tornar um fenômeno gastronômico com filas intermináveis na porta de sua loja no bairro de Pinheiros, em São Paulo, ela já cultivava nas mãos a precisão e disciplina que hoje a consagram como uma das principais confeiteiras do Brasil. Eleita Melhor Confeiteira pela revista Veja São Paulo em 2022 e 2023, e agora distinguida como Chef Confeiteira do Ano e Melhor Doceria 2025, Vivianne transformou técnica e memória em uma marca registrada que encanta paladares.
Das feiras livres de Ibiúna para o centro de São Paulo
Filha de feirantes, Vivianne cresceu em Ibiúna, no interior paulista, dividida entre a lavoura e o trabalho nas feiras livres. Essa rotina árdua, que incluía acordar de madrugada para descarregar caminhões com a família, sem que ela soubesse na época, moldaria o rigor e a determinação que hoje definem seus doces. "Nunca fui bem na escola, porque eu trabalhava depois da aula", relembra a chef, destacando que a cozinha sempre foi seu refúgio e onde descobriu uma habilidade natural.
Foi durante o curso de gastronomia que Vivianne percebeu que a confeitaria seria seu projeto de vida. "Me encantei com a complexidade de técnicas e precisão. Foi um ponto de partida pra mim", afirma. Especializada em wagashi e yogashi, um estilo que combina técnicas ocidentais com ingredientes japoneses tradicionais como matchá, shissô e azuki, ela construiu uma identidade única que a tornou referência nessa área no Brasil.
Uma jornada de superação e aprendizado no Japão
Após sua formação, o desejo de estudar no exterior levou Vivianne a buscar bolsas de estudo. Com conhecimento do idioma japonês, ela conseguiu uma bolsa integral do governo japonês, que cobria todos os custos, incluindo moradia e uma mesada, além da oportunidade de estagiar em uma confeitaria local. "Lá foi um divisor de águas. Amadureci bastante nesse período e aprendi muito também", conta a confeiteira, enfatizando como essa experiência foi crucial para refinar suas habilidades e visão profissional.
No entanto, a trajetória não foi livre de obstáculos. Vivianne enfrentou situações de misoginia e xenofobia, comuns em ambientes de cozinha dominados por homens. "Tinha um tratamento diferente, engoli muito sapo. Vivi situações que nunca esperava, tipo voltar chorando para casa ou estar trabalhando chorando de raiva", relata. Esses momentos difíceis a fizeram questionar se deveria continuar na profissão, mas a necessidade e a falta de opções a impulsionaram a persistir. "Quando a gente tem necessidade e não tem tanta opção, ou você desiste, ou você dá a cara para bater", reflete.
Conquistas e liderança no cenário gastronômico
Ao chegar em São Paulo, o objetivo de Vivianne era claro: tornar-se uma profissional competente e alcançar independência financeira. Hoje, com sua doceria estabelecida e reconhecida, ela não apenas realizou esse sonho, mas também busca liderar e delegar de acordo com seus valores. "Hoje em dia, consegui isso, e busco liderar e delegar do meu jeito", afirma, demonstrando como superou adversidades para se firmar como uma empresária respeitada.
Sua cozinha, que mistura técnica francesa com ingredientes japoneses, é um reflexo de sua jornada pessoal e profissional. Vivianne Wakuda representa um exemplo inspirador de como paixão, trabalho duro e inovação podem transformar uma vida simples do interior em uma carreira de sucesso no competitivo mercado gastronômico paulistano, atraindo admiradores de todo o país para experimentar seus doces únicos.



