Costela gaúcha mantém soberania no espeto com preços mais acessíveis
Nem foi necessária uma redução drástica nos valores para que um dos cortes mais emblemáticos do Rio Grande do Sul continuasse reinando absoluto nas churrasqueiras. A costela, verdadeiro símbolo do churrasco considerado "raiz" pelos gaúchos, apresentou uma significativa queda de preço ao longo do último ano na Região Metropolitana de Porto Alegre, reforçando ainda mais a preferência histórica dos consumidores por este corte tradicional.
Queda de preços consolida preferência do consumidor
Mesmo em estabelecimentos que oferecem uma ampla variedade de cortes, incluindo opções como vazio, maminha e galeto, a escolha dos clientes segue sendo majoritariamente pela costela. "O pessoal busca o churrasco clássico, o costelão. É o que mais sai aqui", afirma Marcelo Britti, proprietário de uma casa especializada em churrasco. Segundo dados oficiais do IPCA, a costela se destacou como um dos cortes com maior redução de preço no ano passado na Grande Porto Alegre, registrando uma queda expressiva de 4,27%.
Atualmente, o quilo da costela é comercializado por valores inferiores a R$ 20, tornando-a uma opção ainda mais atrativa para os consumidores. Apenas a paleta apresentou recuo maior, com 6,33% de redução. Outros cortes como músculo e acém também se tornaram um pouco mais acessíveis, porém sem alcançar a mesma popularidade da costela entre os gaúchos.
Oferta ampliada explica redução nos valores
A explicação para este alívio nos preços da costela está diretamente relacionada a uma oferta ampliada no mercado. Como o consumo deste corte no estado do Rio Grande do Sul é significativamente superior ao verificado em outras regiões do país, os comerciantes precisam buscar parte da carne em outros estados para atender adequadamente à demanda local. "Outros estados não consomem tanta costela quanto o Rio Grande do Sul. Então, ela acaba vindo de fora para suprir", explica Edgar Barbieri, proprietário de um centro comercial especializado em carnes.
Dados da Ceasa revelam que mais de 1,3 mil toneladas de costela foram comercializadas apenas no ano passado, demonstrando o volume impressionante deste mercado. Enquanto isso, cortes considerados mais nobres, como contrafilé, coxão de dentro, alcatra e picanha, registraram aumentos significativos de preço, com o contrafilé liderando essa alta com mais de 6% de aumento.
Fatores econômicos e tradição cultural
O professor Júlio Barcellos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), analisa que o consumo elevado de cortes nobres no período pós-pandemia, incluindo filé e entrecot, exerceu pressão sobre os preços dessas carnes, deixando a costela relativamente mais barata em comparação. O especialista projeta que este cenário deve permanecer estável durante o primeiro semestre de 2026, mantendo a costela como uma opção acessível para os consumidores.
Para muitos gaúchos, a escolha pela costela vai além de fatores econômicos, envolvendo aspectos afetivos e tradicionais. O médico Vitor Prochnow compartilha que cresceu acompanhando o preparo da costela em sua família. "É algo muito nosso. O costelão de 12 horas, a costela no fogo de chão, a costela minga... sempre esteve nos meus primeiros churrascos", relata emocionado. "Meu avô sempre pedia costela, e isso foi passando de geração em geração", complementa, destacando que este corte permanece entre suas carnes preferidas.
Sabor imbatível e oportunidade econômica
Para outros consumidores, como o aposentado Adil Alves, a decisão está fundamentada no sabor incomparável da costela. "A gordura entrando na carne deixa muito mais saborosa e macia. Sempre que vou ao açougue, trago costela", afirma com convicção. Nos açougues da região, é comum encontrar clientes que nem planejavam realizar um churrasco, mas que mudam de ideia ao se deparar com os preços atrativos da costela.
O caminhoneiro João Pereira exemplifica esta mentalidade: "Gaúcho que não gosta de costela? Costela vale ouro. E quando está barata, tem que aproveitar", declara enquanto garante a peça para o fim de semana. Esta combinação de tradição cultural, sabor característico e preços acessíveis consolida a costela como um verdadeiro ícone gastronômico do Rio Grande do Sul, mantendo seu reinado nas churrasqueiras e nos corações dos gaúchos.



