Bolinho de frango de Itapetininga: tradição que evolui mantendo sabor histórico
Bolinho de frango: tradição que evolui em Itapetininga

Bolinho de frango de Itapetininga: uma tradição que se reinventa sem perder a essência

A transformação é uma constante na sociedade, manifestando-se em diversos aspectos da vida cotidiana. Na comunicação, no vestuário, no pensamento e, evidentemente, na culinária, as mudanças são inevitáveis e refletem a evolução dos tempos. Em Itapetininga, município do interior de São Paulo com aproximadamente 160 mil habitantes, o bolinho de frango representa mais do que um simples salgado: é um verdadeiro patrimônio cultural, reconhecido oficialmente há mais de duas décadas. Contudo, sua trajetória revela adaptações significativas ao longo dos anos.

Origens e tradição que resistem ao tempo

A receita tradicional do bolinho de frango remonta à década de 1950, criada por Dona Francisca, uma figura emblemática na história gastronômica da cidade. Originalmente acompanhado de caldo de cana ou café com leite, o salgado conquistou gerações e permanece como uma das iguarias mais consumidas pelos itapetininganos. Entre os devotos do quitute está Jonatas Vieira, operador de máquinas que não perde a oportunidade de saboreá-lo durante visitas à Praça Peixoto Gomide, no centro da cidade.

"Tenho o hábito de comer o bolinho de frango sempre que passo pelo Centro. É uma tradição que faz parte da nossa identidade", afirma Jonatas, destacando o valor cultural do alimento.

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Os ingredientes originais incluem farinha de milho, polvilho, ovos, cheiro-verde e caldo de frango caipira na massa. O recheio, preferencialmente em pedaços, embora algumas versões utilizem frango desfiado, mantém características distintivas. Carla Costa, bisneta de Dona Francisca, preserva a receita familiar com rigor, enfatizando que o formato deve ser "pingado" e não enrolado.

"Vivo da produção do bolinho e sigo a receita original com frango caipira em pedaços. É isso que garante o sabor autêntico", explica Carla, reforçando a importância dos métodos tradicionais.

Inovação e expansão do símbolo gastronômico

Assim como Carla, numerosos empreendedores locais dependem economicamente da produção do bolinho de frango. Paulo Frigieri é um exemplo notável: há vinte anos, ele fundou uma empresa especializada em salgados congelados, tendo o bolinho como produto principal. Mensalmente, sua fábrica produz cerca de uma tonelada do salgado, atendendo à demanda crescente tanto da versão tradicional quanto de adaptações modernas.

"O bolinho é um sucesso absoluto. Muitas pessoas de fora da cidade buscavam levar o produto para casa, o que nos inspirou a criar a versão congelada. Agora, é possível prepará-lo até em air fryer", comenta Paulo, evidenciando a adaptação às novas tecnologias culinárias.

A ambição do empresário não se limita ao mercado regional. Paulo planeja estabelecer franquias de sua empresa no próximo ano, com o objetivo de disseminar o bolinho de frango de Itapetininga por todo o território nacional.

"Nossa projeção é transformar o negócio em franquia e levar o bolinho para o Brasil inteiro. Queremos que essa delícia conquiste paladares em todas as regiões", declara Paulo, otimista com a expansão.

Patrimônio cultural que une passado e futuro

O bolinho de frango de Itapetininga personifica a fusão entre tradição e inovação. Enquanto preserva elementos históricos que remetem à década de 1950, como os ingredientes originais e técnicas de preparo, também se adapta às demandas contemporâneas, com versões congeladas e planos de expansão nacional. Essa dualidade não apenas fortalece sua relevância cultural, mas também assegura sua perpetuação como ícone gastronômico.

Para os moradores, o bolinho transcende o aspecto alimentar, simbolizando memórias afetivas e orgulho local. Seja consumido nas barracas da praça ou preparado em casa a partir dos produtos congelados, ele continua a unir a comunidade em torno de um sabor que resiste ao tempo e se projeta para o futuro.

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