Avós polenteiras mantêm tradição italiana há 20 anos em Goiás com receita de família
Avós mantêm tradição italiana de polenta há 20 anos em Goiás

Avós polenteiras mantêm tradição italiana há 20 anos em Goiás

Em Nova Veneza, na Região Metropolitana de Goiânia, três irmãs dedicam-se há duas décadas a manter viva uma tradição culinária italiana que atravessou gerações. Ana Maria, de 68 anos, Iranilda Maria (Nida), de 62, e Divina Aparecida, de 59 anos, são as responsáveis pela produção artesanal de polenta, um dos pratos mais emblemáticos da culinária italiana.

Herança familiar e aprendizado na infância

Divina Aparecida, avó de três netos, revela que o conhecimento sobre a polenta vem dos antepassados italianos que se estabeleceram na região. "A tradição começou com nossos pais, que nos ensinaram a preparar o alimento ainda crianças", conta. Filha de uma família com oito irmãos, ela recorda que o pai trabalhava com carro de boi antes da popularização dos automóveis, enquanto a mãia dominava as receitas tradicionais.

"Ela foi fazendo, nós fomos vendo e aprendendo", relembra Divina, destacando que o processo de aprendizado foi natural e contínuo dentro do ambiente familiar.

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Participação no Festival Italiano de Nova Veneza

As irmãs polenteiras integram o grupo de mulheres que compõem a gastronomia do Festival Italiano de Nova Veneza, evento que celebra a herança cultural dos imigrantes. O envolvimento da família com a festividade começou nas primeiras edições, com as irmãs mais velhas participando desde o início e Divina juntando-se a partir da terceira edição.

O preparo da polenta durante o festival exige grande esforço e organização. "Cada um tem sua panelinha. Eu mexo a minha, a Ana a dela, e a outra a dela. É um 'trem' que consome demais", descreve Divina sobre o trabalho coletivo.

Processo de produção e trabalho em equipe

Além das três irmãs, outras pessoas ajudam na produção, que se estende por semanas antes do evento. "A gente faz nhoque, separa a carne de primeira e de segunda para fazer as pelotinhas. É muita coisa que fazemos durante quase um mês", explica Divina sobre os preparativos minuciosos.

A equipe familiar atualmente é formada pelas três irmãs, uma filha de Divina e mais duas mulheres que auxiliam no trabalho. Para a polenteira, estar ao lado de Nida e Ana representa uma grande alegria. "Para mim é uma alegria. Uma dá força para a outra. Se uma está na panela, a outra vem e ajuda", relata.

Transmissão para as novas gerações

A tradição de preparar e vender polenta já está sendo passada para as novas gerações. Divina conta que uma de suas filhas começou a trabalhar na festa há cerca de três anos, e os netos demonstram entusiasmo pelo prato típico.

"Já vou deixar para minha filha e ensinar meus netos. Se eles gostam de comer, vão querer aprender também", destaca Divina, expressando esperança de que a tradição familiar continue.

Simplicidade e esforço na preparação

Ao falar sobre a polenta, Divina ressalta sua simplicidade e aceitação. "É uma comidinha simples, mas todo mundo que come gosta", afirma. No entanto, ela não esconde que o preparo exige dedicação: "É simples de fazer, mas é pesado de mexer".

Nova Veneza: a Capital Italiana de Goiás

Conhecida como a Capital Italiana de Goiás, Nova Veneza teve sua história iniciada em 1912, quando uma família de imigrantes italianos se mudou para a região em busca de melhores condições de trabalho e vida. Os Stival, provenientes da província de Veneto, na Itália, compraram uma propriedade rural e se instalaram no local.

Doze anos depois, o patriarca João Stival dividiu parte de suas terras em lotes para lavradores, comerciantes e outros profissionais interessados em se estabelecer na região. O loteamento foi registrado em cartório em 5 de junho de 1924, marcando o desenvolvimento da comunidade.

Em 2024, uma lei aprovada na Assembleia Legislativa de Goiás concedeu oficialmente a Nova Veneza o título de Capital Italiana de Goiás, reconhecendo sua importância como centro da cultura imigrante italiana no estado.

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