Guia Descorchados 2026 revela os melhores vinhos da América do Sul com destaque para Argentina e surpresas brasileiras
A 28ª edição do Guia Descorchados, criado pelo crítico chileno Patricio Tapia, acaba de ser lançada, consolidando-se como a principal referência para os apreciadores de vinhos sul-americanos. A publicação avaliou impressionantes 4.000 rótulos de produtores do continente, destacando tendências importantes e revelando novidades no cenário vinícola.
Argentina conquista pontuação máxima com Malbecs frescos e sem madeira
Entre os milhares de vinhos degustados, apenas dois alcançaram a pontuação máxima de 100 pontos, e ambos são argentinos. O Adrianna Vineyard Mundus Bacillus Terrae, da Catena Zapata, e o Finca Piedra Infinita Gravascal, da Zuccardi, ambos Malbec da safra 2023, confirmam a hegemonia argentina no topo do ranking.
O que chama atenção é que nenhum desses vinhos passa por madeira, refletindo uma tendência clara no gosto contemporâneo: mais frescor e menos carvalho. Essas garrafas apresentam estrutura com acidez vibrante e fruta em primeiro plano, priorizando a pureza e a precisão em vez do peso tradicional. No Brasil, esses exemplares estão disponíveis pelas importadoras Mistral e Grand Cru, com preços em torno de R$ 3.500.
Brasil surpreende com técnica de dupla poda e revelações no Sudeste
Enquanto a Argentina domina o topo, o Brasil mostra evolução significativa, especialmente fora do eixo tradicional do Sul. Pela primeira vez em cerca de dezessete anos, Patricio Tapia não visitou a região Sul, concentrando suas avaliações no Sudeste, onde a técnica da dupla poda vem ganhando destaque.
Essa técnica inverte o ciclo da videira para permitir a colheita no inverno, resultando em vinhos de qualidade consistente. Entre os tintos brasileiros mais bem pontuados, dois dividiram o pódio com 94 pontos:
- Rastros do Pampa: um Tannat leve produzido pela Guatambu, na Campanha Gaúcha.
- Paralelas: um Cabernet Franc da Casa Almeida Barreto, de Minas Gerais, eleita a vinícola revelação do ano.
Crítico revisa preconceitos e aponta desafios para a identidade brasileira
Durante uma masterclass em São Paulo, Patricio Tapia admitiu ter revisto seus próprios preconceitos em relação à produção vinícola brasileira. A qualidade dos vinhos de São Paulo e Minas Gerais o surpreendeu, embora ele tenha feito ressalvas importantes.
Segundo Tapia, um dos principais desafios para o Brasil é a falta de identidade regional. "Não é um problema da técnica, mas de quem faz os vinhos", afirmou, referindo-se à concentração de poucos enólogos à frente de múltiplos projetos. Ele citou o chileno Cristian Sepúlveda, que tem sido fundamental no desenvolvimento da vinícola Guaspari, em Espírito Santo do Pinhal, e cujo estilo vem se tornando mais sutil e interessante.
No entanto, Tapia enfatiza que a região precisa de mais diversidade: mais mãos, mais visões e mais identidade para consolidar sua posição no mercado.
Descorchados continua a traçar o futuro do vinho sul-americano
O Guia Descorchados não se limita a apontar os melhores vinhos; ele revela, safra após safra, as direções que o vinho sul-americano está tomando. Nesta edição, fica claro que o caminho é menos pelo peso e mais pela precisão, com destaque para vinhos frescos, puros e bem definidos.
O lançamento da 28ª edição foi marcado por eventos no Brasil, com a presença de cinquenta produtores prestigiados da América do Sul em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, reforçando a importância do mercado brasileiro no cenário continental.



