Show de MC Ryan SP é cancelado no litoral paulista após prisão por lavagem de dinheiro
A apresentação do funkeiro MC Ryan SP, marcada para esta sexta-feira (17) no Rocket Sea Club, em São Vicente, no litoral de São Paulo, foi cancelada após o artista ser preso pela Polícia Federal. A detenção ocorreu na quinta-feira (16) como parte da Operação Narco Fluxo, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro em uma organização criminosa que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão de forma ilícita.
Produtora anuncia substituição sem citar prisão diretamente
A produtora All In, responsável pelo evento, emitiu um comunicado nas redes sociais explicando o cancelamento. "Informamos que, por motivos alheios à nossa vontade, o artista MC Ryan SP não poderá se apresentar. Contamos com a compreensão de todos", dizia a nota oficial. A casa de shows substituiu o cantor por MC Lele JP, que inclusive canta a música "Diário de um Cafajeste" em parceria com o próprio MC Ryan SP.
Operação da PF prende MC Ryan e Poze do Rodo em múltiplos estados
A Polícia Federal cumpriu 90 mandados judiciais, incluindo buscas e prisões, em nove estados brasileiros e no Distrito Federal. MC Ryan SP foi detido na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista, enquanto Poze do Rodo foi preso em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro. Ambos são suspeitos de envolvimento com a organização criminosa investigada.
O delegado Marcelo Maceiras, responsável pela operação, destacou que a investigação começou em 2023 com a apreensão de um veleiro com drogas e segue "seguindo todo o caminho do dinheiro". A Justiça autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 1,6 bilhão e a apreensão de cerca de R$ 20 milhões apenas em veículos de luxo.
Estrutura da organização criminosa e papel dos influenciadores
Segundo a Polícia Federal, MC Ryan SP é apontado como líder e principal beneficiário econômico do esquema. Ele utilizaria empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar recursos legítimos com dinheiro de apostas ilegais e rifas digitais. Para blindar seu patrimônio, o artista teria transferido participações em empresas para familiares e operadores financeiros, além de adquirir imóveis, veículos de luxo e joias.
O delegado Marcelo Maceiras explicou que influenciadores com grande visibilidade nas redes sociais eram recrutados para divulgar plataformas ilegais e movimentar recursos. "Eles são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações", afirmou. A PF identificou vários envolvidos:
- Tiago de Oliveira: Braço direito de MC Ryan, responsável pela gestão financeira do material ilícito.
- Alexandre Paula de Sousa Santos: Intermediário entre o MC e as plataformas de apostas.
- Rodrigo de Paula Morgado: Atuaria como "contador" do grupo, realizando transferências bancárias.
- Raphael, dono da Choquei: Suspeito de receber valores para fazer publicações positivas sobre MC Ryan e as rifas.
- Diogo 305 e Henrique Viana (Rato Love Funk): Também vinculados a empresas do esquema, com suspeitas de operações financeiras sem lastro.
Investigações continuam para encontrar "contador" do esquema
O delegado Maceiras afirmou que as investigações ainda vão prosseguir, com o objetivo de encontrar o "contador" do esquema e preencher lacunas sobre a movimentação e destinação final do dinheiro. "A gente chegou nesse ponto, mas as investigações ainda vão prosseguir", disse. Ele evitou citar grupos criminosos específicos, mas ressaltou que "parte do dinheiro" tem origem no tráfico de drogas.
A defesa de MC Ryan SP foi procurada pelo UOL e aguarda retorno. Já a defesa de Poze do Rodo afirmou que "desconhece os autos ou teor do mandado de prisão" e que se manifestará na Justiça. O advogado de Diogo 305, Felipe Cassimiro, negou qualquer relação do influenciador com os alvos da operação, limitando seu contato a interações pela internet e participação eventual em eventos.



