BBB: Participantes têm pena de Pedro após assédio; debate sobre machismo
Pena de Pedro após assédio no BBB gera debate sobre machismo

Um diálogo entre participantes do Big Brother Brasil (BBB) reacendeu um debate crucial sobre machismo e a percepção social do agressor. A conversa ocorreu após a denúncia de assédio feita por Jordana contra o brother Pedro, e revelou uma postura que vai além da simples condenação do ato.

Diálogo revelador no reality show

Em uma conversa com as sisters Sol e Sarah Andrade, o participante André Cowboy, aliado de Pedro, se manifestou sobre o caso ocorrido no programa da TV Globo. A fala, registrada no dia 19 de janeiro de 2026, foi marcada por um sentimento ambíguo.

André deixou claro que condena a atitude de Pedro, classificando-a como "terrível". No entanto, em seguida, expressou sentir pena do colega. "Mas tenho pena", afirmou ele, recebendo a concordância de Sarah e Sol, que complementaram com justificativas como "um menino novo, construindo uma família, uma mulher que deve gostar dele".

A construção da imagem do agressor como vítima

Esse tipo de reação, segundo análise de especialistas em comportamento social, é sintomática de um problema estrutural. O diálogo reforça como, em muitos casos, o agressor nunca é visto como uma ameaça direta às mulheres e à sociedade.

Em vez disso, ele é frequentemente revestido de uma aura de vítima, com o uso de termos que despertam compaixão, como "menino novo" ou "pena". Essa narrativa transforma quem cometeu o ato em alguém que merece cuidado e zelo, deslocando o foco da vítima real e das consequências de suas ações.

Pedro, como um adulto e maior de idade, é plenamente responsável por medir as consequências de seus atos. A condenação pública e a punição devem ser proporcionais ao ocorrido, sem que a compaixão seletiva sirva como atenuante para um comportamento inaceitável.

Duplo padrão e a cultura do cancelamento

O caso levanta ainda a questão do duplo padrão aplicado no próprio reality show e na opinião pública. Históricos do BBB mostram que, por atitudes consideradas menos graves, outros participantes foram eliminados e "cancelados" sem receber o mesmo tipo de compreensão ou compaixão que está sendo demonstrada agora.

Isso acontece enquanto a situação é transmitida em rede nacional, na forma de entretenimento, normalizando dinâmicas perigosas. A discussão final inevitavelmente questiona: se há tanta pena sendo direcionada ao acusado, onde está a preocupação com a vítima, Jordana? O machismo, apontado como raiz de muitos tipos de assédio, se manifesta também nesta inversão de papéis.

O episódio serve como um microcosmo de um debate social muito mais amplo, mostrando como a cultura ainda lida com conflitos de gênero e responsabilização, mesmo em um ambiente supostamente vigiado e mediado.