Irmãs desvendam origem do meme 'Tia Helena odiava Suzuki' em entrevista exclusiva
As irmãs pernambucanas Juliana e Andrea Lundgren se tornaram fenômenos das redes sociais após participarem do documentário "O Testamento: o segredo de Anita Harley", do Globoplay, mas garantem que a famosa frase "Tia Helena odiava Suzuki" não foi combinada previamente. A expressão, que viralizou como meme, surgiu espontaneamente durante as filmagens sobre a disputa judicial pela fortuna de R$ 2 bilhões da herdeira das Casas Pernambucanas, em coma desde 2016.
Sincronia natural e conexão familiar
Juliana, enfermeira, e Andrea, vendedora de planos de saúde, são primas de segundo grau de Anita Harley, a quem chamam carinhosamente de "tia Anita". Elas explicam que a dinâmica sincronizada durante a entrevista reflete a união e o bom humor que permeiam seu convívio diário. "O pior, ou melhor, é que a gente não fez nada combinado. Quando a gente fez o documentário, a gente não combinou resposta", afirmou Andrea.
Juliana complementou: "A gente é sempre assim. Eu penso: 'rapaz, vou ligar para Andrea'. Quando eu vejo, na hora, meu telefone toca". Andrea reforçou essa conexão única: "É uma conexão muito forte, somos muito ligadas".
Contexto sério por trás do viral
Apesar do tom leve do meme, as irmãs enfatizam que o caso envolvendo Anita Harley é extremamente sério. "Na verdade, a gente sabe que é um assunto muito sério. Em momento nenhum, quisemos transformar aquele documentário numa comédia", declarou Andrea. Juliana destacou o objetivo principal de sua participação: "Quando a gente foi chamada, a gente foi com uma missão: expor o que estava sendo velado, uma injustiça muito grande".
Andrea completou com preocupação: "É um caso muito sério e ela [Anita Harley] está lá em cima de uma cama sem falar nada, sem poder se defender". A frase viral se refere a Sônia Soares, também conhecida como Suzuki, uma ex-funcionária que alega ter sido companheira de Anita por 36 anos – fato contestado pelas irmãs Lundgren e por outros envolvidos.
Impacto da repercussão e vida após a fama
As irmãs se surpreenderam com a viralização, mas veem aspectos positivos na exposição. "Tem o lado positivo porque as pessoas estão sabendo, o poder público está tomando conhecimento de tudo que está acontecendo", observou Juliana. Andrea acrescentou: "A opinião pública é muito importante. A verdade não faz curva".
Em entrevista à TV Globo, elas relataram sua reação à fama repentina: "A gente ficou… eu fiquei extasiada. A gente ficou surpresa, a gente não imaginava que isso fosse acontecer. Jamais". Apesar do reconhecimento público, mantêm a rotina, mas enfrentam situações inusitadas. "Veja, a gente continua vivendo uma vida normal. As nossas vidas", disse Andrea. Juliana contou: "A gente é reconhecida na rua. Eu estou no supermercado na fila do caixa e só escuto assim 'Tia Helena odiava Suzuki'".
História da família Lundgren e legado em Paulista
O documentário também resgata o passado da família Lundgren, que impulsionou o desenvolvimento do município do Paulista, no Grande Recife, desde o início do século XX. De origem sueca, a família construiu um império industrial com fábricas de tecido que chegaram a empregar cerca de 20 mil trabalhadores, moldando a dinâmica da cidade através das vilas operárias.
O historiador Marcondes Andrade destacou: "Eles trouxeram sim um progresso, foram bem empreendedores. Trouxeram tecnologia, a vila operária, modos de vida diferentes para as pessoas que aqui moravam". Ele também ressaltou a influência abrangente da família: "Era 100%. Era político, religioso… mesmo eles sendo anglicanos. Mandavam em tudo".
O declínio do império começou na década de 1960, quando parte da fortuna foi usada para pagar dívidas trabalhistas. A ausência de um plano sucessório pulverizou o patrimônio familiar em Pernambuco. "A maior parte da fortuna de Anita se encontra mais para a região Sul e Sudeste do país. A daqui do Nordeste partiu muito o patrimônio. Tudo que se divide muito se perde", explicou Marcondes.



