Lollapalooza 2026: Um Festival de Extremos no Autódromo de Interlagos
O Lollapalooza 2026 consolidou sua posição como um dos maiores festivais de música do Brasil, atraindo um público impressionante de 285 mil pessoas ao longo dos três dias de evento no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Esta edição foi marcada por uma curadoria que soube capturar o que há de mais relevante nas paradas de sucesso globais, mas também pelos desafios logísticos que tradicionalmente acompanham eventos de grande porte. A sensação geral foi de um festival que conseguiu resumir as tendências musicais do momento, embora ainda precise aprimorar aspectos fundamentais para o conforto do público.
Os Acertos que Facilitaram a Vida do Público
Entre os pontos positivos mais celebrados, a instalação de pontos estratégicos com oferta de água gratuita destacou-se como uma vitória importante, garantindo hidratação em dias de calor intenso. As filas, embora presentes em um evento que recebe até 100 mil pessoas diariamente, foram consideravelmente reduzidas, com opções mais afastadas permitindo acesso tranquilo a bebidas, comida e banheiros. A gestão do terreno também mostrou evolução, com um manejo mais inteligente do solo que, aliado ao uso de placas de plástico e brita, domou a lama que foi vilã em edições anteriores.
Aposta na Relevância Musical
A curadoria do festival acertou em cheio ao escalar cinco artistas indicadas à categoria de Revelação no Grammy nos últimos dois anos, mantendo o evento conectado com o que há de mais atual na música global. O line-up contou com 71 artistas, sendo 17 estreantes no Brasil, demonstrando que o Lollapalooza ainda tem cacife para trazer os nomes "do momento" ao país. O domingo foi particularmente elogiado pela diversidade e importância dos artistas na cena pop atual.
Os Erros que Ainda Precisam de Solução
Por outro lado, a logística de saída continuou sendo um ponto fraco significativo. Relatos de esperas de duas horas para acessar o trem e corridas de aplicativo batendo os R$ 150 evidenciaram que o êxodo simultâneo após os shows principais gera um gargalo difícil de engolir. A organização argumenta que escalou apresentações após os headliners no palco Perry’s by Fiat para dispersar o fluxo, mas a sensação de desafio na volta para casa permaneceu.
Falta de Conforto e Desequilíbrio Nacional
A falta de árvores no Autódromo transformou a busca por sombra em uma disputa quase medieval por qualquer centímetro de frescor ao lado de estandes de marcas. A produção destacou parcerias para oferecer áreas de sombra, mas a insuficiência foi palpável. Musicalmente, embora mais da metade do line-up tenha sido nacional, a percepção foi de que o brilho brasileiro ficou escondido na programação, longe dos holofotes principais, com uma presença menos impactante comparada a anos anteriores.
Cardápio com Contas que Não Fecham
No aspecto gastronômico, o cardápio apresentou problemas: porções pequenas, preços que chegavam a R$ 60 e pouca atenção para quem tem restrições alimentares. Para intolerantes a glúten ou lactose, a salvação eram espetinhos ou o "kit sobrevivência" de cinco itens industrializados permitidos. A organização informou que ofereceu opções vegetarianas, veganas e espetinhos, mas a insatisfação foi generalizada.
Um Resumo por Dias: Sexta, Sábado e Domingo
O primeiro dia foi marcado por um choque geracional que funcionou bem, equilibrando a alma roqueira com a devoção aos fãs de Sabrina Carpenter. O sábado transformou-se em santuário das grandes vozes, com performances viscerais de Marina, Lewis Capaldi e Chappell Roan. O domingo fechou com contraste entre a diversão energética de Tyler, The Creator e a intensidade visceral de Lorde, oferecendo uma experiência profunda antes da maratona da volta.
Em síntese, o Lollapalooza 2026 foi uma edição que acertou na curadoria musical e em melhorias operacionais, mas ainda precisa avançar significativamente em logística, conforto e equilíbrio na programação para oferecer uma experiência completa ao público que lota o Autódromo de Interlagos.



