Em tempos de vídeos curtos e rolagem infinita nas redes sociais, a leitura ainda se mantém como um hábito forte entre os jovens que buscam autoconhecimento e alívio da ansiedade digital. O Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), que começou em 25 de abril e se encerra neste domingo (3), reúne mais de 200 atividades literárias, musicais e gastronômicas, atraindo um público diverso.
Leitura como refúgio
A estudante Nátali Vilhena da Silva Amaral, de 18 anos, afirma que os livros a ajudam a escapar da pressão das redes sociais. Ela começou a ler aos 14 anos e se apegou à leitura em um momento difícil, transformando-a em hobby. Hoje, prefere os livros ao celular.
O g1 conversou com jovens e palestrantes do evento para entender o interesse pelos livros. As portas de entrada são variadas: familiares leitores, atividades escolares e até influenciadores digitais que produzem conteúdo sobre livros.
Influenciadores literários como estímulo
A influenciadora literária Gabriela Neves, presente no Flipoços, explica que seus vídeos funcionam como trailers dos livros, usando a linguagem rápida a que os jovens estão acostumados. “O objetivo é que a pessoa pare tudo e leia”, diz. Para ela, a internet não substitui a leitura, mas atua como estímulo.
Gabriela construiu carreira ligada ao esporte e ao cinema, mas a literatura sempre esteve presente. Durante a pandemia, passou a registrar suas experiências de leitura, primeiro no TikTok e depois no Instagram, onde hoje tem 120 mil seguidores. Muitos seguidores relatam que voltaram a ler após acompanhá-la.
Dois perfis de jovens leitores
Os jovens leitores se dividem em dois grupos: os que veem nos livros um amigo íntimo para superar dificuldades e os que usam a leitura para criar conexões e fazer amigos.
A psicóloga Yasmin Silva Bernardes, frequentadora assídua do Flipoços, associa o hábito de ler a uma infância reclusa. Ela recomenda leitura e escrita em seus atendimentos, acreditando no potencial terapêutico de ambas.
A estudante de psicologia Samira Marques Rocha, de 20 anos, aprendeu a ler com a mãe e vê na literatura uma forma de viver experiências alheias. Começou com gibis e hoje lê escritores brasileiros e temas de psicologia.
Por outro lado, há quem encontre na leitura uma atividade coletiva, compartilhando listas e resenhas em redes sociais e clubes de livros. Aline Cantia, presidente do projeto AbraPalavra e vencedora do Prêmio Jabuti 2025, palestrou no Flipoços e observa que os jovens estão lendo de formas diversas: em comunidades do TikTok, YouTube, saraus e clubes de leitura. Eles buscam temas como questões LGBTQIA+, antirracistas e leituras indígenas, mostrando uma diversidade maior do que no passado.
Flipoços: um dos maiores eventos literários do Brasil
O Festival Internacional de Literatura de Poços de Caldas (Flipoços) está entre os principais eventos literários do país. A 21ª edição ocorreu entre 25 de abril e 3 de maio, no Parque José Afonso Junqueira, com mais de 200 atividades. O tema deste ano foi cartas e diários na literatura.



