A trajetória de sucesso do cowboy brasileiro João Ricardo Vieira, natural de Itatinga, no interior de São Paulo, é um exemplo de determinação e talento que atravessou fronteiras. Há 13 anos, ele se destaca nas arenas de rodeio dos Estados Unidos, acumulando conquistas impressionantes e milhões de dólares em premiações.
Da roça para o topo do rodeio mundial
João Ricardo Vieira já realizou mais de 684 montarias na principal liga do esporte, a Professional Bull Riders (PBR). Atualmente, ele integra o time profissional "Florida Freedom". Seu saldo financeiro é um dos maiores da história: mais de US$ 3 milhões em premiações totais. Esse montante expressivo coloca o peão de 41 anos entre os dez atletas que mais acumularam dinheiro em prêmios na história do rodeio norte-americano.
Sua estreia na PBR, em 2013, já foi marcante. Naquela temporada, ele não apenas se adaptou à elite do esporte, como também conquistou o cobiçado título de "Rookie of the Year" (Novato do Ano), faturando sozinho US$ 435 mil. Antes mesmo de pisar em solo americano, João já construía uma carreira vitoriosa no Brasil, onde, em apenas três anos, ganhou 23 motos e 6 carros como prêmios em competições.
A diferença de patamar e a vida entre dois países
Em entrevista à TV TEM, o cowboy destacou a mudança de perspectiva financeira. "Aqui, geralmente, a valorização é muito menor, sabe? Quando eu cheguei lá (nos Estados Unidos), eles já tinham me olhado aqui no Brasil, e eu já tinha dois patrocínios com marcas americanas", contou. A busca por melhores oportunidades econômicas é, de fato, um grande motivador para os peões brasileiros, como explica o comentarista de rodeio Eugênio José: "Se há décadas o auge de um peão era vencer em Barretos (SP), hoje o objetivo é a economia americana. O sonho do peão é chegar nos Estados Unidos, onde você tem oportunidades de mudar a vida em um único rodeio".
Nos períodos de folga, João retorna à tranquilidade de Itatinga. Em seu rancho, mantém uma rotina rigorosa de preparação física. "Todos os dias eu vou para a academia. Duas horas e meia, três horas de treinamento físico, sabe? Porque lá a gente tem que ter muito mais resistência", revela. Além da arena de treinos, desde 2020 ele se dedica à criação de touros com inseminação artificial e genética de ponta importada, aplicando o conhecimento adquirido nos EUA: "Já tem 40 anos que eles fazem melhoramento genético com os touros".
Intensidade e foco: a fórmula da longevidade no topo
Aos 41 anos, idade em que muitos atletas da modalidade já se aposentaram, João Ricardo Vieira se mantém competitivo graças a uma ética de trabalho incansável. O comentarista Eugênio José aponta essa característica como fundamental: "Se ele cai de um boi no fim de semana, ele monta em três ou quatro durante a semana para treinar. Ele não aceita o erro". Essa intensidade é o que o mantém relevante em um esporte de alto risco e desgaste físico.
Considerado uma referência atual nos rodeios, João já planeja o futuro. Seu objetivo é se aposentar e retornar definitivamente para a calmaria do interior paulista, onde espera aproveitar a vida simples, com churrascos na companhia de amigos e de sua mãe. Sua história vai muito além dos dólares e troféus; é a narrativa de um homem do interior de São Paulo que, com coragem e disciplina, conquistou um lugar entre os maiores nomes de um esporte tradicionalmente norte-americano, inspirando uma nova geração de peões brasileiros.