Professora do DF viraliza com desenhos artísticos em lousa e inspira alunos
Uma professora do Distrito Federal conquistou as redes sociais com seus desenhos feitos à mão livre em lousas de sala de aula, despertando o interesse dos estudantes pela arte. Camilla Dantas, de 27 anos, é artista plástica e professora da Secretaria de Educação do DF, atuando no Centro de Ensino Médio Setor Oeste, onde suas criações ganharam destaque.
Início dos desenhos e reação dos alunos
Em entrevista, Camilla revelou que começou a fazer desenhos na lousa em 2024, quando lecionava para o ensino fundamental. "Era para compor os conteúdos que eu escrevia, sem intenção mesmo, simplesmente porque sou caprichosa", explica. "Acontece que quanto mais eu desenhava, mais os alunos gostavam ou pediam para que eu desenhasse algo. Alguns tentavam copiar e depois me mostravam, perguntando o que eu achava. Achei tão precioso que passei a fazer um pequeno desenho todos os dias", recorda.
Quando passou a dar aulas para adolescentes no ensino médio, a professora imaginou que os estudantes não dariam muita atenção aos desenhos, considerando-os infantis. "Felizmente, o efeito foi oposto", comemora. "Muitos alunos que desenham começaram a praticar mais, me pedir dicas. Outros decidiram que querem aprender a desenhar. E aqueles que não querem desenvolver essa habilidade, sempre me pediam desenhos de seus personagens favoritos ou do seu time de futebol".
Para envolver ainda mais a comunidade, Camilla criou as caixinhas do Instagram, onde toda semana deixa uma caixinha de perguntas nos stories para que alunos e seguidores enviem sugestões de desenhos. Essa interação fortaleceu o vínculo e ampliou o alcance de seu trabalho.
Trajetória artística e descoberta da vocação docente
A paixão de Camilla pelo desenho surgiu cedo. "Com 3 anos de idade, devorava revistinhas de colorir e com 5 já gostava de copiar desenhos da Turma da Mônica e outros que assistia na televisão", conta. Aos 9 anos, venceu um concurso de ilustração na escola, e aos 14 começou a vender seus desenhos, seguido pelo primeiro retrato pintado à óleo aos 15 anos.
"Aos 13 anos, eu já sabia que queria cursar Artes Visuais na UnB", afirma. Formou-se em 2018, sempre produzindo arte e trabalhando com pintura e desenho. No entanto, ser professora não estava em seus planos iniciais. "Ser professora era uma possibilidade que eu não considerava de forma alguma. Depois de alguns meses dando aula de desenho quando eu tinha 18 anos, defini que jamais seria professora", revela.
A mudança veio durante a graduação na UnB, quando percebeu dificuldades de colegas do bacharelado em encontrar trabalho. "Decidi mudar para a licenciatura porque, apesar de não desejar ser professora, um diploma de licenciatura talvez me abrisse mais portas". Ao cursar matérias de educação, apaixonou-se pelo conteúdo. "Sempre gostei de psicologia, e percebi que a docência tinha tudo a ver com isso".
Um momento decisivo ocorreu durante uma aula de Educação e Arte, ao assistir um documentário sobre Nise da Silveira. "Chorei muito, no meio da aula mesmo, e percebi, naquele dia, que tinha encontrado minha vocação", emociona-se.
Missão educacional e visão sobre a arte
Camilla defende que a produção artística traz benefícios significativos. "Se as pessoas soubessem quantos benefícios a produção artística nos traz, seja ela dentro da pintura, desenho, música, dança, teatro... Todo mundo faria algum tipo de arte. Fazer arte é um remédio poderoso contra doenças psiquiátricas, que é um dos males da atualidade".
Seu grande sonho é ver mais espaços públicos voltados para a arte. Em sala de aula, preocupa-se em transmitir conteúdo e preparar os alunos para ingressar em boas faculdades, mas vai além. "Mais importante que isso, é que eles conheçam e entendam a profundidade da arte. Tento sempre me expressar de forma apaixonada e cativante para estimular a curiosidade deles".
"Meu objetivo maior dentro da minha profissão é fazer os alunos se apaixonarem um pouquinho por arte, também. Minha missão é plantar essa semente dentro da sala de aula. Formar alunos que cresçam sendo capazes de ver e viver a beleza e sensibilidade no mundo", conclui Camilla Dantas, cuja história inspira educadores e estudantes a valorizarem a criatividade no ambiente escolar.



