João Fênix lança álbum ao vivo 'Mapa de tempo' com participação de Ney Matogrosso
João Fênix lança álbum ao vivo com Ney Matogrosso

João Fênix apresenta álbum ao vivo com participação de Ney Matogrosso

O cantor pernambucano João Fênix lançou na sexta-feira, 17 de abril, o álbum Mapa de tempo ao vivo, um registro de show realizado na casa Manouche, no Rio de Janeiro. O trabalho reúne oito músicas gravadas ao vivo em parceria com o violonista Jaime Alem, marcando mais um capítulo na trajetória do artista conhecido por sua voz andrógina e versátil.

Repertório diversificado e conexões musicais

O álbum apresenta uma seleção cuidadosa de canções que refletem as influências e escolhas artísticas de João Fênix. Entre as faixas, destaca-se Todo homem, composição de Zeca Veloso originalmente de 2027, que ganha nova interpretação com os graves acionados por Fênix. Curiosamente, o artista antecipou em décadas a tendência de falsetes que marcaria cantores surgidos nos anos 2010.

A voz andrógina de Fênix o conecta a uma linhagem que inclui Ney Matogrosso e Edson Cordeiro. Não por acaso, Ney participa do álbum, revivendo o dueto em Nada mais (Lately), versão em português de Stevie Wonder que já haviam gravado em estúdio anteriormente.

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Da espiritualidade à ancestralidade

O álbum abre com Pai Grande, de Milton Nascimento, estabelecendo um tom espiritual que permeia várias escolhas do repertório. Ancorado no violão seguro de Jaime Alem, com quem trabalha há anos, Fênix explora os múltiplos timbres de sua voz, embora nem sempre com resultados completamente satisfatórios.

Em Jeito de mato, de Paula Fernandes e Maurício Santini, certa estridência no canto dilui a serenidade do tema interiorano, enquanto em Canta coração, de Geraldo Azevedo, o timbre agudo remete em passagens à gravação original de Elba Ramalho.

Momentos de destaque e conexões culturais

Fênix se eleva particularmente em Ando de bando, composição de Ivor e Álvaro Lancellotti, onde o violão de Alem evoca um universo cigano. Esta canção já havia aparecido no álbum Minha boca não tem nome (2018), considerado por muitos o melhor trabalho do cantor.

Outro momento marcante é Meu elemento (É de balé), ijexá de Moreno Veloso e Igor de Carvalho que expõe a forte conexão ancestral entre Bahia e África. Ao final da faixa, Fênix saúda orixá enquanto Alem extrai sons percussivos da madeira do violão.

Encerramento político e transcendente

O álbum se encerra com Al final de este viaje en la vida, canção do cubano Silvio Rodríguez que deu título a seu álbum de 1978. Fênix interpreta em espanhol esta composição que versa sobre transcendência e resistência humana, em plena luz em meio à morte.

Com mais acertos do que erros, Mapa de tempo ao vivo expõe a resistência da voz andrógina de João Fênix, documentando um momento significativo na carreira do artista. O álbum está disponível através da Mills Records, completando o ciclo iniciado com Pequeno mapa do tempo (2024), coletânea de duetos que originou o show registrado no Manouche.

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