Herdeira de Claudinho se une a artistas do funk em denúncia contra editoras musicais
Vanessa Ferreira, filha e herdeira do espólio do falecido cantor Claudinho, da dupla Claudinho e Buchecha, declarou publicamente que editoras musicais não estariam repassando corretamente os direitos autorais ligados às músicas do duo. A afirmação foi feita através de uma nota publicada nas redes sociais, onde Vanessa expressou apoio às denúncias de outros artistas do funk sobre pagamentos de direitos.
"Como parte herdeira do Claudinho, reitero a denúncia da Tati Quebra Barraco, MC Marcinho e MC Catra: as editoras que são detentoras das principais obras da dupla ('Rap do Salgueiro', 'Nosso Sonho', 'Carrossel de Emoções' e 'Barraco da Paz') não fazem o repasse corretamente para o espólio", escreveu Vanessa em sua publicação.
Buchecha confirma problemas semelhantes com editoras do funk
O cantor Buchecha, parceiro de Claudinho na famosa dupla, também se pronunciou sobre o assunto, afirmando que já enfrentou problemas parecidos com editoras do gênero funk. "A bomba está estourando. Essa bomba ia estourar em algum momento. O primeiro vítima foi da Tati, fazendo uma denúncia dos direitos dela sendo violados. [...] Eu também já fui vítima dessas editoras do funk", declarou o artista.
Buchecha destacou a falta de transparência no setor e revelou que os artistas teriam restrições até para regravar o próprio repertório. "Só no funk, as editoras não enviam relatórios para os artistas. Os artistas não têm direito de regravar suas músicas. Eu já fui vítima disso. Isso está errado. Os artistas não podem ter seus direitos violados dessa maneira", completou.
Cobrança pública de Tati Quebra Barraco gera repercussão
Na semana passada, a cantora Tati Quebra Barraco cobrou publicamente pagamentos por músicas que diz ter escrito. Entre as obras mencionadas estão "Barraco 2", "Bota na boca, bota na cara" e "São Paulo", esta última com trecho utilizado por The Weeknd e Anitta. Tati relatou disputas envolvendo DJs como Dennis DJ e DJ Marlboro, afirmando que esses conflitos impactaram seu trabalho profissional.
"Eu venho sendo massacrada desde sempre, até porque eu era ingênua. [...] Fui notificada pelo DJ Marlboro, porque ele tinha editado a minha música há uns cinco anos, uma música que tem 22 anos. É massacre atrás de massacre. [...] É muita injustiça. Já estou sufocada. Não é de hoje que venho sendo apunhalada", desabafou a artista.
Tati ainda revelou que deixou de fechar contratos publicitários devido à falta de liberação de uma de suas músicas. "Hoje não posso fazer publicidade porque não tem liberação do DJ Marlboro. Vocês não tem noção de quanto eu perco de publicidade. É muita coisa. Por causa de quem? Porque a música não é autorizada. Sendo assim, a Tati não pode trabalhar", explicou.
Resposta de Dennis DJ e ações de regularização
Após as denúncias ganharem repercussão, Dennis DJ emitiu um comunicado informando que pediu levantamentos às entidades responsáveis pela arrecadação e distribuição de direitos autorais. O DJ afirmou ter entrado em contato com a NOWA e com a UBC (União Brasileira de Compositores), associação da qual Tati Quebra Barraco também é afiliada, para solicitar um levantamento dos valores eventualmente recebidos por ele ao longo dos anos.
De acordo com informações do ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), 75% do valor gerado pela obra antes da regularização dos créditos foram repassados a Dennis DJ, totalizando R$ 1.203,75. O artista já solicitou formalmente à UBC a devolução integral desse valor, com a devida correção, diretamente para a conta da cantora Tati Quebra Barraco.
Este caso destaca uma problemática recorrente no meio musical brasileiro, especialmente no gênero funk, onde artistas e herdeiros enfrentam dificuldades para receber os direitos autorais devidos. A união de vozes como Vanessa Ferreira, Buchecha e Tati Quebra Barraco pode pressionar por maior transparência e justiça na distribuição dos recursos gerados pelas obras musicais.



