Dori Caymmi brilha em show 'Utopia' no Teatro Ipanema com voz e violão magistrais
Dori Caymmi encanta em show 'Utopia' no Teatro Ipanema

Dori Caymmi emociona plateia com performance íntima e repertório vasto no Rio

Na noite de 7 de abril de 2026, o Teatro Ipanema, localizado na cidade do Rio de Janeiro, foi palco de um momento especial da música brasileira. Dori Caymmi, renomado compositor e intérprete, estreou a temporada do show "Utopia – 56 anos de parceria" dentro do projeto "Terças no Ipanema", idealizado por Flávia Souza Lima. Com apenas sua voz e violão, o artista descortinou um universo poético que cativou o público presente.

Do resmungo à entrega: um pedido atendido com maestria

Um dos momentos mais marcantes da noite ocorreu quando um espectador solicitou a execução de "Porto", tema composto por Dori para a novela "Gabriela" em 1975. Inicialmente relutante, alegando limitações vocais, o músico acabou por "parir" a canção, como brincou, após afinar seu instrumento. A performance, que remeteu ao estilo rústico de Baden Powell, demonstrou que sua voz, densa e grave, estava mais do que à altura do desafio.

Homenagens e parcerias: um roteiro que vai além do título

Embora o espetáculo destacasse a longa colaboração com o letrista Paulo César Pinheiro, o repertório foi amplo e diversificado. Dori prestou uma comovente homenagem à sua irmã Nana Caymmi, falecida em 2025, interpretando clássicos como "Sem você" de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e "Resposta ao tempo" de Cristovão Bastos e Aldir Blanc. A seleção musical percorreu desde o lirismo romântico de "O nome da moça" até a energia contagiante do frevo "Ninho de vespa".

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Entre as canções, o humor corrosivo e ferino de Dori quebrou a possível seriedade do ambiente, arrancando gargalhadas da plateia. Suas tiradas espirituosas, como a referência às "comorbidades" que compartilha com Paulo César Pinheiro, adicionaram leveza a um roteiro que também explorou temas profundos e melancólicos, como em "Sozinho de nascença".

Um legado familiar e a celebração da música brasileira

O show reforçou o lugar de Dori Caymmi na nobre dinastia artística da família Caymmi, honrando o legado do patriarca Dorival Caymmi. Com interpretações precisas e cheias de sentimento, o artista navegou por rios, mares e sertões do imaginário brasileiro, em músicas como "Setenta anos", "Raça morena" e "Canto brasileiro". Ao final, após atender ao pedido por "Porto", as cortinas se fecharam sobre uma plateia embevecida pela beleza e pela emoção proporcionadas por uma verdadeira lenda viva da MPB.

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