Unidos de Vila Isabel e Salgueiro brilham na terceira noite de desfiles do Carnaval do Rio
Vila Isabel e Salgueiro brilham na terceira noite do Carnaval Rio

Unidos de Vila Isabel e Salgueiro brilham na terceira noite de desfiles do Carnaval do Rio

A terceira noite de desfiles no Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro, realizada entre a noite de terça-feira (17) e a madrugada de quarta (18), foi marcada por apresentações emocionantes e homenagens a grandes personalidades brasileiras, com uma forte celebração da ancestralidade africana. Unidos de Vila Isabel e Acadêmicos do Salgueiro emergiram como os grandes destaques da noite, que também contou com as apresentações da Paraíso do Tuiuti e dos Acadêmicos do Grande Rio. Todas as quatro escolas conseguiram cruzar a Marquês de Sapucaí dentro do tempo máximo estabelecido de 80 minutos, garantindo um desfile fluido e sem atrasos significativos.

Paraíso do Tuiuti abre a noite com enredo sobre tradição de Ifá

Responsável por abrir a terceira noite de desfiles, a Paraíso do Tuiuti apresentou o enredo "Lonã Ifá Lukumí", que narrou a trajetória histórica, religiosa e filosófica da tradição de Ifá, desde suas origens na África Ocidental, passando pelo Caribe, até sua chegada e adaptação no Brasil. A escola banhou a Sapucaí com as cores branco e prata, associadas a orixás primordiais, destacando-se desde o imponente abre-alas com elefantes robóticos em tripés. A bateria realizou uma coreografia especial com a rainha Mayara Lima e seus atabaques, enquanto uma grande pirâmide dourada giratória, representando o Egito, cercada de divindades da antiga civilização, encantou o público na segunda alegoria.

As cores também narraram a conexão entre Cuba, onde a religião se adaptou e se integrou a novas culturas durante o tráfico de pessoas escravizadas, e o Brasil. O verde e o amarelo, representando o Ifá cubano e a bandeira brasileira, salpicaram fantasias e alegorias ao longo dos 77 minutos de desfile. O intérprete Pixulé foi um dos grandes destaques, segurando todo o desfile com maestria, inclusive durante a bela parada da bateria.

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Unidos de Vila Isabel homenageia Heitor dos Prazeres

Após a oitava colocação em 2025, a Unidos de Vila Isabel buscou seu quarto título do Grupo Especial com um enredo em tributo ao multiartista Heitor dos Prazeres, explorando sua profunda relação com a cultura afro-brasileira. O homenageado foi representado logo na comissão de frente, que resumiu sua vida como uma mistura vibrante de ateliê de pinturas, macumba e o samba de um dos fundadores de algumas das primeiras escolas de samba do Brasil. As cores características de suas obras salpicaram todo o desfile, especialmente nos jalecos pintados à mão da bateria.

Antes do abre-alas, um pede passagem já trouxe o presidente de honra da agremiação, Martinho da Vila, e uma bisneta de Tia Ciata, mãe de santo e madrinha de Heitor. Ao longo da apresentação, que se encerrou tranquilamente antes dos 80 minutos, o intérprete Tinga realizou diversas paradinhas para envolver o público no samba composto por André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho Cruz. À frente da bateria, a rainha Sabrina Sato desfilou com uma fantasia impressionante de 40 kg. O quinto e último carro celebrou a participação do artista no primeiro festival mundial de artes negras, em 1966, e também trouxe Heitorzinho, filho do homenageado.

Acadêmicos do Grande Rio explora o Manguebeat

A atual vice-campeã do carnaval do Rio, que ficou a apenas 0,1 ponto atrás da Beija-Flor em 2025, buscou a vitória este ano com um samba sobre o movimento do Manguebeat. Para a abertura de sua apresentação, a Grande Rio apostou em luzes apagadas, que contrastaram dramaticamente com os tons fortes do roxo de suas primeiras alas, cor que representa a lama fértil do mangue. O abre-alas entrou na avenida como uma grande mistura púrpura da vida nesse bioma, com capivaras, jacarés, caranguejos e garças entre as raízes dos manguezais.

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Um dos grandes destaques do desfile foi a estreia de Virginia como a rainha da bateria. Escoltada por seguranças na Sapucaí, a influenciadora enfrentou alguns perrengues, sambou com energia e declarou apoio público ao namorado, o jogador de futebol Vini Jr., que foi alvo de racismo em uma partida realizada nesta terça. Chico Science, um dos fundadores do movimento e do grupo Nação Zumbi, recebeu uma homenagem especial em um tripé com antenas parabólicas. O último carro trouxe novamente Nanã, orixá da lama, que também apareceu na comissão da frente, fechando o desfile com um toque espiritual.

Acadêmicos do Salgueiro celebra Rosa Magalhães

A Salgueiro busca seu décimo título no Grupo Especial com um enredo dedicado à carnavalesca Rosa Magalhães, maior vencedora da história da Sapucaí, com seis vitórias no sambódromo e mais uma antes de sua construção. A escola apostou em uma comissão de frente mais tradicional, com dançarinos se apresentando diretamente na avenida, acompanhados por alegorias menores que representavam os livros amados pela homenageada. Como era de se esperar, a cor rosa dominou grande parte do desfile, aparecendo no casal de mestre-sala e porta-bandeira e no imponente abre-alas, um grande navio que simbolizava as viagens da imaginação da carnavalesca.

A embarcação era ricamente enfeitada com referências a desfiles realizados por Rosa Magalhães nas diversas agremiações pelas quais passou ao longo de sua carreira. A bateria seguiu o tema e entrou na avenida fantasiada de piratas, contando até com um violino que ganhou destaque ao ressoar sozinho durante algumas paradinhas dos demais instrumentos. Viviane Araújo, rainha mais longeva do Grupo Especial carioca, se apresentou mais uma vez junto dos ritmistas desde 2008. Apesar de um pequeno problema na evolução e a apresentação de um buraco em certo momento, a escola conseguiu passar o portão a tempo, fechando uma noite sem atrasos significativos.

Com a conclusão da terceira noite, todas as doze escolas do Grupo Especial já se apresentaram na Marquês de Sapucaí. A apuração dos resultados está marcada para esta quarta-feira, com transmissão ao vivo pelo g1 e pela TV Globo, logo após a exibição de "Rainha da Sucata" no Vale a Pena Ver de Novo. Nas duas primeiras noites, os destaques ficaram por conta da Imperatriz Leopoldinense, Estação Primeira de Mangueira, Beija-Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro, enquanto Acadêmicos de Niterói, Portela, Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca também já mostraram seu talento na avenida.