Presidente da Velha Guarda denuncia preconceito e detalha crise que abalou a Portela
Em entrevista exclusiva à VEJA nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, Álvaro Albano, presidente da Associação da Velha Guarda das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, fez revelações impactantes sobre a situação dos veteranos no Carnaval carioca. Albano não poupou críticas ao afirmar que os integrantes mais experientes enfrentam preconceito sistemático por parte das agremiações, um cenário que considera inaceitável para aqueles que dedicaram décadas ao samba.
Preconceito e limitações estruturais
O líder explicou que, atualmente, apenas as escolas do Grupo Especial – o pelotão de elite do Carnaval – disponibilizam carros alegóricos para a participação da Velha Guarda nos desfiles. Para as demais divisões, os veteranos são obrigados a desfilar no chão, o que representa um desafio significativo devido a questões de idade e problemas de saúde. "Graças a Deus, agora colocaram um carro, mas isso é só no grupo especial. Nos outros grupos, velha guarda tem que ir no chão mesmo", lamentou Albano, destacando a urgência de ampliar essa regra para todas as categorias.
O incidente que paralisou o desfile da Portela
Albano, que desfilou pela Portela, abordou diretamente o episódio que causou tumulto durante a apresentação da escola. Um desentendimento entre a diretoria da agremiação e membros da Velha Guarda resultou em um "buraco" no desfile e criou um clima de tensão nos bastidores. Segundo ele, o problema começou com uma "precipitação de alguns componentes da Velha Guarda" em relação ao carro alegórico.
"Houve um problema no carro realmente, mas se eles tivessem se mantido na posição não haveria problema. A precipitação foi o que causou o desespero", explicou Albano. A equipe técnica agiu rapidamente para contornar a situação, mas a demora da última alegoria forçou a parada do desfile até sua chegada, culminando em um final tenso, ainda que dentro do limite de 79 minutos.
Consequências diretas: a saída do carnavalesco
O episódio teve repercussões imediatas e profundas. André Rodrigues, o carnavalesco responsável pelo desfile, apresentou seu pedido de demissão em meio à crise. Albano reconheceu a gravidade do ocorrido, mas ressaltou que situações como essa não são incomuns no universo do samba. "Isso acontece no mundo do samba. Não é a primeira vez", afirmou, buscando contextualizar o incidente dentro das dinâmicas complexas que envolvem a organização dos desfiles.
A declaração de Albano serve como um alerta sobre a necessidade de maior inclusão e respeito aos veteranos, figuras fundamentais para a preservação da história e da tradição das escolas de samba. Enquanto a Portela lida com as consequências da saída de seu carnavalesco, o debate sobre o lugar da Velha Guarda no Carnaval moderno ganha novos contornos e urgência.



