Rosas de Ouro é rebaixada após apuração do Carnaval 2026 em São Paulo
Rosas de Ouro rebaixada no Carnaval 2026 de São Paulo

Rosas de Ouro é rebaixada após apuração do Carnaval 2026 em São Paulo

A escola de samba Rosas de Ouro, atual campeã do Grupo Especial do Carnaval paulistano, sofreu um duro golpe nesta terça-feira (17) ao ser rebaixada para o Grupo de Acesso 1 na próxima edição. A agremiação terminou a apuração oficial em penúltimo lugar, somando apenas 268,4 pontos, em uma decisão que surpreendeu muitos foliões e especialistas do samba.

Desfile astrológico e problemas desde o início

Quinta escola a entrar no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, na emblemática sexta-feira 13, a Rosas de Ouro apresentou o enredo "Escrito nas Estrelas". O desfile percorreu uma jornada desde a criação do universo até o momento em que as civilizações humanas passaram a utilizar os astros como guias para a navegação e a vida cotidiana.

No entanto, a escola já iniciou a disputa em uma posição de desvantagem significativa. Isso porque a agremiação perdeu 0,5 ponto devido a um atraso na entrega das pastas técnicas destinadas aos jurados, um erro administrativo que pesaria na contagem final.

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Comissão de frente incompleta e bateria com notas baixas

Outro revés ocorreu na comissão de frente, onde a proposta original previa 12 componentes, cada um representando um signo do zodíaco. Porém, o integrante que representaria Libra passou mal momentos antes do desfile e não pôde entrar na avenida. A ausência foi simbolicamente impactante, já que Libra é justamente o signo da escola, fundada em 18 de outubro de 1971, e é tradicionalmente associado aos conceitos de justiça e equilíbrio.

O quesito que recebeu as menores notas foi a bateria. A Rosas de Ouro obteve uma nota de 9,6 – a mais baixa de toda a sua apuração – além de dois 9,9 e um 10. Nesse critério, os jurados avaliam elementos cruciais como a manutenção do ritmo em sintonia com o samba (sustentação), a precisão e o sincronismo entre os instrumentos (execução), o equilíbrio de volumes entre os naipes (equalização), a afinação dos timbres e as bossas, que devem ser criativas e bem executadas.

Acidente grave nos bastidores e único quesito perfeito

Além das adversidades técnicas, a escola enfrentou um episódio grave nos bastidores do desfile. Uma mulher que desfilava como semi-destaque teve parte do dedo esmagada por uma empilhadeira na área de concentração do Sambódromo. Segundo relatos de um funcionário da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP), que presenciou o acidente, a integrante estava sendo içada para o segundo carro alegórico quando colocou a mão em um ponto inadequado do equipamento, resultando no ferimento.

O único quesito que recebeu todas as notas 10 foi o enredo. De acordo com o manual oficial dos julgadores, são analisados critérios como a realização narrativa, o desenvolvimento do roteiro e a leitura plástica do tema na avenida, aspectos em que a Rosas de Ouro se destacou positivamente.

Elogios do público não evitam o rebaixamento

Apesar de receber elogios de parte considerável do público presente e dos espectadores, o desconto inicial de pontos e as notas baixas em quesitos decisivos pesaram fortemente na soma final. A combinação desses fatores culminou no rebaixamento da então campeã, que agora terá que disputar o Grupo de Acesso 1 no próximo ano, buscando uma rápida recuperação e o retorno ao elite do carnaval paulistano.

A queda da Rosas de Ouro marca um capítulo dramático na história recente do Carnaval de São Paulo, demonstrando como detalhes técnicos e imprevistos podem alterar drasticamente o destino de uma escola, mesmo quando o enredo e a apresentação artística são amplamente reconhecidos.

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